Ramos Horta aceita ser o primeiro-ministro interino do Timor

O ex-ministro de Relações Exteriores e Defesa do Timor Leste, José Ramos Horta, declarou nesta segunda-feira que não quer ser o primeiro-ministro do país, mas aceita ocupar o cargo durante alguns meses se o partido majoritário Fretilin pedir.Ramos Horta fez suas declarações à rádio australiana ABC um dia depois de o primeiro-ministro, Mari Alkatiri, renunciar para tentar acabar com a crise que afeta o Timor Leste.O Prêmio Nobel da Paz de 1996 tinha renunciado no domingo, em protesto contra a recusa de Alkatiri a deixar o poder. Agora, ele é o candidato com maior apoio da Fretilin, partido que tem a maioria parlamentar."Não estou interessado nisso. Mas se houver consenso, com apoio da Fretilin, e não surgir outro candidato aceitável para o presidente e o resto do país, aceitaria o desafio durante alguns meses", disse Ramos Horta.Além do ex-ministro, a Fretilin conta com outros possíveiscandidatos. Entre eles estão a ministra Ana Pessoa, ex-mulher de Ramos Horta; o ministro do Trabalho, Arsenio Bano; o ministro da Saúde, Rui Araújo; e o embaixador na ONU, José Luis Guterres.Guterres perdeu em maio as eleições internas da Fretilin para renovar a liderança do partido. Na ocasião, a vitória de Alkatiri foi alvo de suspeitas e duramente criticada pelo presidente, Xanana Gusmão.Ramos Horta destacou nesta segunda-feira a necessidade de prudência para "examinar as circunstâncias que levaram a toda esta situação"."Não vou bater em alguém que já caiu. Não podemos cair natentação de revanchismo", destacou Ramos Horta.O promotor-geral de Estado, Longuinhos Monteiro, confirmou à agência de notícias australiana AAP que Alkatiri foi citado para comparecer à justiça na sexta-feira, mas como testemunha.CriseAlkatiri está sendo responsabilizado pela atual crise. Em março, ele exonerou 600 soldados em greve, em manifestação para exigir o fim da discriminação étnica. A demissão provocou uma rebelião dos soldados renegados, conduzindo a episódios de violência que provocaram a morte de pelo menos 30 pessoas e levou 150.000 a fugirem de Díli, a capital timorense, e ainda permanecem, em grande parte, em campos de refugiados e em locais considerados seguros como igrejas e seminários católicos. Além disso, Alkatiri é acusado de armar um grupo de extermínio para eliminar oponentes políticos. Cerca de 30 pessoas morreram em enfrentamentos que explodiram nas ruas de Díli após a expulsão dos militares, enquanto gangues de civis armados iniciaram confrontos que inicialmente foram atribuídos às disputas entre as etnias "lorosae" (oriundos do leste do país) e "loromono" (ocidentais).A crise timorense determinou a intervenção de forças da Austrália, Malásia, Portugal e Nova Zelândia com a missão de frear a escalada de violência.

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