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Ramos-Horta é figura central no Timor Leste há 30 anos

Ex-exilado e Nobel da Paz foi cotado para substituir o ex-secretário da ONU Kofi Annan por luta pelo país

BBC Brasil,

11 de fevereiro de 2008 | 10h54

José Ramos-Horta, de 58 anos, é um veterano na luta pela independência do Timor Leste. Ele venceu o Prêmio Nobel da Paz em 1996 pelos seus esforços em prol da independência do país, durante o período em que o Timor esteve sob ocupação da Indonésia.   Quando a nação finalmente conquistou sua independência, em maio de 2002, Ramos-Horta foi nomeado para o cargo de Ministro das Relações Exteriores. Em maio de 2006, o primeiro-ministro Mari Alkatiri se viu obrigado a renunciar ao cargo, após ter sido responsabilizado pela onda de violência que atingiu o país em maio do mesmo ano.   Na incerteza que se seguiu, o ganhador do Prêmio Nobel surgiu como uma figura de peso para restabelecer a paz e a estabilidade política no Timor. Em junho de 2006, Ramos-Horta foi nomeado primeiro-ministro.   Em maio de 2007, Ramos-Horta vence as eleições no país e assume a presidência, substituindo Xanana Gusmão, que ocupava o cargo de presidente desde a independência da nação. Três meses depois, Xanana Gusmão foi nomeado primeiro-ministro.   Especialistas consideraram que a nomeação traria estabilidade para a nação que acabara de conquistar sua independência, mas no último domingo, 10, Ramos-Horta foi baleado durante um ataque rebelde à sua residência, em Díli, capital do país.   'Montanha-russa'   Em 24 anos de exílio, Ramos-Horta pressionou governos estrangeiros e a Organização das Nações Unidas (ONU) para atuarem na causa independentista timorense. No início dos anos 1970, quando Timor Leste ainda fazia parte do império português, o ativismo independentista de Ramos-Horta havia lhe rendido o rótulo de "subversivo" e sanções dentro de seu próprio país.   Em 1975, a dissolução do império levou a combates entre facções rivais timorenses, muitas delas apoiadas pelo governo indonésio. Percebendo uma iminente invasão, Ramos-Horta fugiu do país, em um último esforço para persuadir a comunidade internacional de sua causa.   Três dias depois, cumprindo ordens do presidente Suharto, tropas indonésias ocupavam Timor Leste, iniciando um processo de integração em que morreram 200 mil pessoas, ou metade de toda a população timorense, segundo as estimativas. Entre eles, estavam três irmãos e uma irmã de Ramos-Horta.   A partir da Austrália e dos Estados Unidos, Ramos-Horta se converteu em um dos mais duros críticos de Suharto, a cujo regime o líder timorense pedia sanções. Anos de campanha transformaram sua vida no que ele certa vez descreveu como "montanha-russa emocional".   Considerado criminoso e traidor por Jacarta, Ramos-Horta dividiu em 1996 o Prêmio Nobel da Paz com o bispo Carlos Belo, líder da maioria católica timorense. Na época, o comitê do Nobel declarou esperar que sua decisão ajudasse a resolver o problema de Timor Leste "com base no direito das pessoas à autodeterminação". "Este estava para tornar-se um conflito esquecido, e queríamos contribuir para manter o ímpeto (da luta)", disse o então presidente do comitê, Francis Sejersted.   A premiação atraiu atenção internacional para os esforços de Ramos-Horta. Os inúmeros documentos e reportagens sobre os abusos cometidos pelas autoridades indonésias contra opositores da ocupação mudaram uma realidade que o líder timorense descreveu como "uma nota de rodapé obscura do império colonial português".   Independência   A crise econômica indonésia de 1998 deu força à campanha separatista, sobretudo após a queda do governo de Suharto, em maio. No ano seguinte, 78,5% dos timorenses referendaram a independência em relação à Indonésia.   Apesar da violência que caracterizou o referendo, Timor Leste obteve o direito de permanecer sob controle da ONU. Ramos-Horta retornou ao país e Xanana Gusmão, detido como líder da resistência armada timorense, ganhou a liberdade. A ilha foi declarada plenamente independente em 2002.   Sob a liderança do premiê Mari Alkatiri e de seu partido, Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (Fretilin), o ex-exilado se tornou chefe da diplomacia timorense. Entretanto, quatro anos mais tarde a violência voltou a afetar Timor Leste, depois de o primeiro-ministro demitir 600 de um total de 1,4 mil membros do Exército.   Pelo menos 21 pessoas morreram nos combates e outras 150 mil foram obrigadas a deixar suas casas. Mari Alkatiri renunciou em junho de 2006. Ramos-Horta foi anunciado como primeiro-ministro timorense cerca de três semanas depois.   Apenas algumas semanas antes, ele vinha sendo cotado como um dos possíveis candidatos à substituição do então secretário-geral da ONU, Kofi Annan. O próprio Ramos-Horta minimizou a importância dos rumores em uma entrevista à agência AFP. "Que impressão passaria o secretário-geral se eu abandonasse meu próprio país no momento de necessidade?", ele questionou.

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