Ramos Horta ordena suspensão de buscas a militar rebelde

O candidato à Presidência do Timor Leste José Ramos Horta anunciou nesta segunda-feira, 23, que as forças estrangeiras de paz suspenderão temporariamente a busca pelo comandante rebelde Alfredo Reinado para que este possa negociar com o governo.Ramos Horta, em sua última iniciativa como primeiro-ministro, pois deixa o cargo nesta segunda para concentrar-se na campanha do segundo turno das eleições presidenciais, assegurou que quer dar uma última oportunidade aos rebeldes para que possam buscar uma solução dialogada para seu conflito com o Executivo.A ordem tem o sinal verde do ainda presidente, Xanana Gusmão, e as conversas terão a participação do procurador-geral, Longuinhos Monteiro, o advogado de Reinado, e, na qualidade de moderador, de um representante da Igreja Católica do país, acrescentou o Prêmio Nobel da Paz em 1996.Por sua parte, o militar foragido expressou sua disposição total de retornar ao diálogo com as autoridades e cumprimentou tanto Ramos Horta como Gusmão por terem finalmente dado conta de que não precisam de soldados estrangeiros para representá-los."Não tenho inimigos neste país", ressaltou Reinado, enquanto insistiu em que sempre quis solucionar todos os seus problemas de forma pacífica e sem violência.O comandante rebelde se reuniu na semana passada com Ramos Horta na região de Same, cerca de 50 quilômetros ao sul da capital, um encontro que foi duramente criticado por Francisco Guterres, rival do até agora primeiro-ministro no segundo turno do pleito presidencial que será realizado em 8 de maio.Reinado, que fugiu da prisão em agosto do ano passado após ser detido por posse ilegal de armas, transformou-se na principal ameaça à segurança nacional no Timor Leste, onde desde o ano passado se mantém a presença de cerca de 1.200 tropas australianas, neozelandesas e da ONU.Ele foi um dos 599 militares expulsos por insubordinação do Exército, em março de 2006, após negar-se a retirar suas exigências de melhoras trabalhistas e denúncias de nepotismo no seio do corpo.Em resposta, os sancionados levaram seus protestos às ruas e provocaram uma onda de violência que causou 30 mortes e deixou 150 mil deslocados, levando o então primeiro-ministro do país, Mari Alkatiri, a renunciar, em junho.

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