Rania explica o Islã pela internet

Rainha da Jordânia usa o YouTube contra estereótipos

Gustavo Chacra, O Estadao de S.Paulo

23 de outubro de 2008 | 00h00

A rainha Rania, da Jordânia, que chega hoje ao Brasil, decidiu usar o site de compartilhamento de vídeos YouTube para desmistificar estereótipos sobre árabes e muçulmanos, muito difundidos especialmente neste período de guerra ao terror. Considerada uma das mulheres mais bonitas do mundo, ela é elegante e ocidentalizada no jeito de vestir-se. Jovem, com um inglês perfeito e posições políticas moderadas, Rania é o oposto da idéia ocidental da mulher muçulmana. Palestina nascida no Kuwait, Rania estudou o Alcorão durante a adolescência. Formada em administração pela Universidade Americana do Cairo, trabalhou em multinacionais americanas por algum tempo até se casar, em 1993, aos 22 anos. Hoje, mãe de quatro filhos, é defensora dos direitos da mulher e ajuda o marido na modernização da Jordânia. Neste ano, deu início a uma campanha de conscientização no YouTube, pedindo que pessoas de todo o mundo lhe enviassem perguntas. Respondeu com vídeos, o primeiro deles explicando que a equação "árabe = muçulmano = terror = guerra" é um grave erro. A rainha diz que nem todo árabe é muçulmano - e apenas 20% dos muçulmanos são árabes. Ela afirma que a quantidade de muçulmanos ligados ao terrorismo também é mínima. "Eu conheço o islamismo, eu li o Alcorão, que ensina compaixão, perdão, caridade", afirma.Em outro vídeo, sobre a situação das mulheres, Rania explica que depende de qual país a pessoa está falando. Ela admite que a mulher não tem os mesmos direitos que os homens, mas ressalta que a evolução é perceptível em quase todos as nações árabes e muçulmanas. Exibe números de parlamentares mulheres em países como Síria (30), Marrocos (34) e Sudão (35). Acrescenta que há mais mulheres que homens nas universidades em grande parte do mundo islâmico.Em seus vídeos, Rania usa ainda comediantes que ironizam alguns estereótipos."Você é árabe? Mas você parece tão legal", diz um deles.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.