Ranking de paz atesta piora de guerra na Síria

Pesquisa mostra queda inédita do país em indicadores políticos, econômicos e sociais relacionados à violência

Luiz Raatz, O Estado de S.Paulo

11 Junho 2013 | 02h03

Um estudo a ser divulgado hoje pela ONG Instituto de Economia e Paz indica que houve um aumento de 5% na violência global em 2012, que representou para a economia mundial uma perda de US$ 473 bilhões, valor um pouco superior ao PIB da Argentina. O Índice Global de Paz - que combina estatísticas econômicas sociais e políticas para avaliar conflitos domésticos e internacionais - indica retrocesso em 110 dos 162 países pesquisados.

A queda mais acentuada é a da Síria, que recuou 11 posições no índice em relação a 2012, quando a guerra civil já tinha um ano de duração e está em 160.º, atrás apenas da Somália e do Afeganistão.

"Esse resultado está diretamente ligado ao conflito", explicou ao Estado, o pesquisador Charlotte Morgan, um dos responsáveis pelo estudo. Segundo ele, a estabilidade na Síria tem caído constantemente nos últimos três anos. "Se não houver mediações e resoluções (da ONU), a situação não deve melhorar no curto prazo", acrescentou. Completam a lista dos dez países menos pacíficos do mundo, Iraque, Sudão, República Democrática do Congo, Rússia, Coreia do Norte e República Centro-Africana.

Na América Latina, o destaque negativo é a violência na América Central, decorrente da ação do narcotráfico na região. Honduras, El Salvador e Venezuela têm três das quatro taxas de homicídio mais altas do mundo. No México, a guerra às drogas também tem deixado um rastro violento. Os mais bem colocados da região no ranking são Uruguai (24.º) e Costa Rica (40.ª).

O Brasil apresentou uma ligeira melhora no ranking, mas insuficiente para tirá-lo da 82ª posição. "O Brasil tem sido bem estável. Alguns fatores, como criminalidade e gastos militares do governo, pioraram, mas outros, como atividade terrorista - que no país é ínfima - e ausência de conflitos com vizinhos balancearam a nota final", afirmou o pesquisador.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.