Olivier DOULIERY / AFP
Olivier DOULIERY / AFP

Rascunho de decreto de Trump previa apreensão de urnas após eleição, diz site

Comissão parlamentar americana que investiga a invasão ao Capitólio em 6 de janeiro obteve últimos documentos que os advogados de Trump tentaram manter em sigilo

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2022 | 18h17
Atualizado 21 de janeiro de 2022 | 19h08

A comissão parlamentar americana que investiga a invasão ao Capitólio no dia da confirmação da vitória de Joe Biden, em 6 de janeiro, obteve um rascunho de uma ordem executiva do então presidente Donald Trump que teria instruído o secretário de Defesa a apreender urnas, segundo o site Politico. A reportagem do site teve acesso aos documentos e registros -- agora com a comissão -- que os advogados de Trump tentaram esconder dos investigadores sobre o ataque que deixou cinco mortos. 

A ordem executiva – que também previa a indicação de uma conselheira especial para investigar a eleição de 2020 – nunca foi emitida. Biden derrotou Trump nas eleições presidenciais de novembro de 2020. Com o rascunho, há também o esboço do discurso que Trump fez no dia seguinte da votação. "Juntos, os dois documentos apontam para as perspectivas extremamente divergentes de conselheiros e aliados da Casa Branca durante as frenéticas últimas semanas de Trump no cargo", escreveu o Politico.

Segundo o site, não está claro quem escreveu qualquer um dos documentos. Mas o projeto de ordem executiva é datado de 16 de dezembro de 2020 e é consistente com as propostas que a advogada Sidney Powell fez ao então presidente. 

Em 18 de dezembro de 2020, Powell, o ex-conselheiro de segurança nacional de Trump Michael Flynn, a ex-advogada da administração Emily Newman e o ex-CEO da Overstock.com Patrick Byrne se encontraram com Trump no Salão Oval. Nessa reunião, afirma a reportagem, Powell instou Trump a apreender as urnas eletrônicas e a nomeá-la como 'conselheira especial' para investigar a eleição, segundo o site de notícias Axios.

Um porta-voz da comissão da Câmara confirmou nesta sexta-feira, 21, que o painel havia recebido os últimos documentos que os advogados de Trump tentaram manter em sigilo e depois se recusou a comentar especificamente esses dois documentos.  

O esboço da ordem executiva, segundo a reportagem, mostra que as semanas entre o dia da eleição - 3 de novembro - e o ataque ao Capitólio  - 6 de janeiro - poderiam ter sido ainda mais caóticas do que foram. Ele cita de forma crédula teorias da conspiração sobre fraude eleitoral na Geórgia e Michigan, bem como supostos erros nas máquinas de votação do Dominion.

A ordem autoriza o secretário de Defesa a “apreender, coletar, reter e analisar todas as máquinas, equipamentos, informações armazenadas eletronicamente e registros de materiais necessários para retenção sob” uma lei dos EUA relacionada à preservação de registros eleitorais. Também cita uma ação movida em 2017 contra o secretário de Estado da Geórgia, Brad Raffensperger.

Além disso, o projeto de ordem daria ao secretário de Defesa 60 dias para escrever uma avaliação das eleições de 2020. De acordo com o Politico, isso sugere uma suposta manobra para manter Trump no poder até pelo menos meados de fevereiro de 2021.

 

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