Rascunho de resolução da ONU não prevê uso de força na Síria

Texto pede fim imediato da repressão aos opositores e renúncia do presidente Bashar Assad

Agência Estado

31 de janeiro de 2012 | 11h21

LONDRES - O rascunho de uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a Síria pede que o presidente Bashar Assad entregue o poder a seu vice e afirma que não haverá o uso de forças estrangeiras no país. O esboço apenas pede que o regime coloque imediatamente "um fim em todas as violações aos direitos humanos e ataques contra os que exercem seu direito de liberdade de expressão".

 

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O documento pede que Assad delegue sua "completa autoridade a seu vice" para permitir a criação de um governo de unidade nacional que lidere a transição para um sistema democrático. O texto, um rascunho cuja redação foi liderara pelo Marrocos, também insiste que o documento não compele os "Estados a recorrer ao uso da força ou à ameaça da força".

 

O governo da Rússia declarou nesta terça-feira, 31, que se opõe veementemente à aprovação da resolução da ONU sobre a Síria. Moscou afirma que a medida vai abrir caminho para uma guerra civil no país. "O rascunho ocidental de resolução no Conselho de Segurança não vai ajudar na busca de um compromisso", escreveu o vice-ministro de Relações Exteriores Gennady Gatilov no Twitter. "Pressionar a implementação do documento é abrir caminho para a guerra civil."

 

Na segunda-feira, Gatilov disse que a Rússia não vai apoiar o novo rascunho de resolução do Conselho de Segurança sobre a Síria, que conta com o apoio de países ocidentais, apesar da crescente pressão para que o país tome uma atitude em relação ao regime de Bashar Assad.

 

O Conselho de Segurança da ONU se deve se reunir em breve para discutir a situação na Síria e possivelmente colocar a resolução em votação. Os chanceleres da França e da Grã-Bretanha viajariam a Nova York para pressionar o órgão a passar o texto pedindo a renúncia de Assad.

 

A Rússia, por sua vez, em seus esforços para evitar a aprovação do documento, anunciou que Damasco aceitou abrir o diálogo com a oposição em busca de uma solução para a crise de violência. Os opositores sírios, porém, disseram não ter recebido nenhum convite e afirmaram rejeitar qualquer negociação.

 

Os protestos contra o regime de Assad começaram em março de 2011 de forma pacífica, mas após meses de repressão, opositores e desertores começaram a se armar e se organizar para combater as tropas do governo. De acordo com a ONU, mais de 5 mil pessoas morreram desde então. Damasco culpa "grupos armados e terroristas" pela violência no país. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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