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Rata se aposenta no Camboja após 5 anos detectando minas terrestres

Magawa, uma rata africana gigante, ajudou a limpar cerca de 225 mil metros quadrados de terreno

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2021 | 20h04

PHNOM PENH - Magawa, uma rata africana gigante, está se aposentando depois de trabalhar por cinco anos detectando minas no Camboja, uma experiência que ajudou a salvar muitas vidas e até lhe rendeu um prêmio. 

"Ela já está um pouco cansada", disse à AFP Michael Heiman, chefe do programa de desminagem do Camboja da ONG belga Apopo. "O melhor é que ela se aposente", acrescentou.

Nos últimos cinco anos, Magawa ajudou a limpar cerca de 225 mil metros quadrados de terreno, cerca de 42 campos de futebol, segundo a ONG, que a treinou por um ano na Tanzânia, seu país de origem. 

No total, a roedora detectou 71 minas e 38 munições que não explodiram. 

Em setembro, Magawa recebeu uma medalha de ouro da British Animal Protection Association (PDSA), que anualmente recompensa um animal por bravura. Magawa foi o primeiro rato a receber esta recompensa. 

De acordo com o PDSA, entre 4 e 6 milhões de minas foram instaladas no Camboja entre 1975 e 1998 e mais de 64 mil pessoas morreram por causa delas. 

A ONG belga Apopo, que atua na Ásia e na África, treina ratos para ensiná-los a identificar a tuberculose e também os usa para localizar minas, pois esses animais têm um talento especial para tarefas repetitivas quando são recompensados com suas refeições prediletas. Além disso, seu pequeno tamanho os protege de explosões. 

Para detectar a dinamite dos explosivos, o rato sabe que precisa mover a terra para alertar os humanos sobre sua descoberta. 

Essa técnica é mais rápida do que um detector de metais. Magawa, que mede 70 centímetros, consegue inspecionar uma área equivalente a uma quadra de tênis em 30 minutos, tarefa que levaria quatro dias por um humano com detector de metais. 

Segundo a ONG, um grupo de cerca de 20 ratos especialmente treinados acaba de chegar ao Camboja e iniciará sua missão no país para detectar minas. 

Mas vai levar tempo para que eles se igualem a Magawa, que é "uma rata extraordinária", segundo Michael Heiman. "Sentiremos falta dela", disse. / AFP

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