Ratko Mladic é extraditado e chega à Holanda em avião sérvio

Ministra sérvia da Justiça disse que país 'cumpriu obrigação moral' ao extraditar Ratko Mladic

estadão.com.br,

31 de maio de 2011 | 12h52

Atualizada às 15h32

 

Viaturas escoltam carro branco que teria levado Mladic para o aeroporto de Belgrado 

 

ROTERDÃ - O ex-general servo-bósnio Ratko Mladic chegou pouco antes das 15h (horário de Brasília) desta terça-feira, 31, ao aeroporto de Roterdã, na Holanda, onde será julgado pelo Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII), em Haia.

 

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Ainda não está claro como ele será levado à prisão de Scheveningen, onde ficará detido até o julgamento. Imagens do aeroporto de Roterdã mostram movimentação de policiais e viaturas, mas Mladic ainda não teria deixado a aeronave que o levou ao país. Ao chegar no TPII, Mladic terá uma audiência inicial.

 

Extradição

 

Mladic, preso na última semana, foi levado da prisão da Corte Especial para Crimes de Guerra ao aeroporto de Belgrado, de onde foi transportado em um avião sérvio para a Holanda. A ministra da Justiça da Sérvia, Snezana Malovic, deu a informação em uma coletiva de imprensa, mais cedo.

 

Imagens divulgadas no começo da tarde (horário de Brasília) desta terça mostravam um comboio de viaturas policiais escoltando um carro branco pelas ruas de Belgrado. O veículo seria blindado e estaria levando Mladic da prisão até o aeroporto da cidade.

 

A informação, contudo, não foi confirmada. Aparentemente um segundo comboio teria deixado a prisão pouco depois, levando o ex-general servo-bósnio.

 

Policiais aguardam a chegada de Mladic ao aeroporto de Roterdã, mais cedo 

 

Túmulo

 

Na manhã desta terça-feira, Mladic foi autorizado a visitar o túmulo da filha, Ana, embora sob forte esquema de segurança, segundo a BBC. Ana se suicidou aos 23 anos, durante a guerra civil bósnia, em 1994. A filha do ex-militar teria disparado contra si usando a pistola favorita do pai, ao ler em uma revista sobre os crimes dos quais ele era acusado.

 

Na curta visita ao cemitério, de cerca de 20 minutos, Mladic acendeu uma vela e deixou um pequeno buquê de flores brancas com uma rosa vermelha no centro, de acordo com o vice-procurador para crimes de guerra da Sérvia, Bruno Vekaric.

 

Flores deixadas por Mladic no túmulo da filha, Ana, em Belgrado, antes da extradição

 

Antes de Mladic deixar o centro de detenção, a ministra de Justiça assinou o expediente que autoriza a extradição ao TPII. Na coletiva em Belgrado, Snezana disse que a Sérvia "cumpriu obrigações morais e internacionais" ao extraditar Mladic.

 

Recurso negado

 

Mais cedo nesta terça, a Justiça sérvia negou o recurso da defesa contra a extradição do ex-general servo-bósnio. Aos 69 anos e com a saúde fragilizada, ele foi preso na última quinta-feira na aldeia de Lazarevo, no norte da Sérvia, onde vivia em condições simples na casa de um primo.

 

Os advogados do ex-general baseavam a apelação no frágil estado de saúde de Mladic, que sofreu um derrame cerebral e tem várias doenças crônicas. Foragido por quase 16 anos, Mladic é acusado pelo TPII por genocídio e outros crimes durante a Guerra da Bósnia (1992-1995). 

 

A prisão de Mladic era considerada pela União Europeia (UE) um passo importante para que a Sérvia possa começar as negociações para futuramente tornar-se membro do bloco. A UE recusava-se a tratar do tema antes de o país encontrar e deter o ex-general.

 

Mladic é casado com Bosa e tem um filho, Darko, quem em Belgrado foi registrado em várias ocasiões na busca de pistas que levassem ao pai. Segundo a BBC, Darko disse que o pai teria negado envolvimento nos crimes dos quais é acusado. 

 

Com Efe, Reuters, BBC e Agência Estado

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