Raúl Castro assume funções de liderança

O presidente interino cubano Raúl Castro recebeu uma delegação síria no último final de semana em preparação a uma conferência de alto nível de países não-alinhados que ocorrerá em setembro em Cuba.Segundo o jornal oficial do regime cubano Granma, Raúl, que exerce as funções de seu irmão Fidel enquanto este se recupera de uma cirurgia intestinal, se reuniu com um grupo liderado pelo ministro da Informação da Síria, Mouhsen Bilal, que confirmou que o presidente Bashar Assad participará do encontro em Havana.A delegação síria entregou a Raúl, ministro da Defesa e segundo na hierarquia comunista, uma mensagem de Assad desejando a Fidel uma rápida recuperação e reafirmando "a solidariedade de seu povo, partido e governo ante o recrudescimento das ameaças e agressões da administração (George W.) Bush contra Cuba".O artigo no Granma foi o primeiro de cunho oficial levantando a possibilidade de que Fidel não estará em condições de presidir a conferência, papel que seria desempenhado por Raúl.Diplomatas em Havana já haviam indicado que Fidel não estaria recuperado o suficiente para receber os entre 40 e 50 chefes de Estado e governo esperados para a reunião de cúpula dos países não-alinhados, que se realizará em Havana, de 11 a 16 de setembro.A imprensa oficial cubana exibiu imagens de Fidel - com Raúl e o presidente venezuelano, Hugo Chávez - no dia 13 de agosto, quando o líder completou 80 anos. Embora abatido, Fidel parecia estar se recuperando. A divulgação das imagens - fotos e vídeo - também teve o objetivo de sepultar de vez os rumores que circularam entre membros da comunidade cubana da Flórida de que Fidel estava morto.Desde que adoeceu, membros do regime têm assegurado que ele se recupera "satisfatoriamente" da cirurgia. Mas as informações sobre o estado de saúde do líder - consideradas por ele mesmo "segredo de Estado" - são divulgadas sempre em caráter extra-oficial. Diante do otimismo das declarações, especulava-se que Fidel poderia fazer uma aparição durante a reunião dos não-alinhados.Durante a cúpula dos não-alinhados, a presidência interina do grupo, que hoje está nas mãos da Malásia, passará a Cuba.

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