Carlo Allegri / Reuters
Carlo Allegri / Reuters

Raúl Castro diz que governo terá que reduzir despesas em razão da situação atual da economia cubana

Presidente de Cuba rejeitou previsões sobre iminente colapso ou retorno ao período conhecido como ‘Período Especial’

O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2016 | 10h33

HAVANA - O presidente de Cuba, Raúl Castro, admitiu que a economia do país passa por "circunstâncias adversas" que obrigarão o governo a reduzir despesas e fomentar a poupança, mas rejeitou as previsões sobre um iminente colapso ou um retorno à fase conhecida como "Período Especial".

No primeiro semestre do ano, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1%, a metade do previsto, disse Raúl na Assembleia Nacional do país. Segundo o presidente, o resultado foi condicionado a fatores como o descumprimento das receitas por exportações, aliado a "uma determinada contração no fornecimento de combustível acertado com a Venezuela", além do embargo imposto pelos Estados Unidos.

"Nestas circunstâncias adversas, o Conselho de Ministros adotou um conjunto de medidas para enfrentar a situação e garantir as atividades principais para manter a vitalidade da economia, minimizando o impacto sobre a população", disse Raúl no discurso divulgado pela imprensa oficial cubana.

O presidente rejeitou as "especulações e augúrios", que "tem como propósito semear o desânimo e a incerteza relativos a um iminente colapso da economia, com retorno à fase aguda do Período Especial decretado no início dos anos 1990 após a queda do bloco soviético".

"Não negamos que podem ocorrer oscilações, inclusive maiores do que as atuais, mas estamos preparados e em melhores condições para então revertê-las", garantiu.

Após destacar que não há espaço para improvisações e "muito menos para o derrotismo", Raúl afirmou que é necessário "reduzir as despesas de todo o tipo que não sejam imprescindíveis", assim como fomentar a poupança e o aproveitamento eficiente dos recursos disponíveis.

As medidas que o governo começará a implantar também são orientadas para concentrar os investimentos nas atividades que criam receitas por meio de exportações, substituem importações, apoiam o fortalecimento de infraestrutura e garantem a sustentabilidade da geração de energia elétrica.

"Trata-se, em síntese, de não reduzir os programas que garantem o desenvolvimento da nação", afirmou o presidente cubano, que também garantiu a preservação e a qualidade dos serviços sociais.

Raúl reafirmou o propósito de seguir com a atualização do modelo econômico da ilha, "ao ritmo que definamos soberanamente forjando o consenso e a unidade dos cubanos na construção do socialismo". “Não renunciaremos ao propósito de continuar restabelecendo a credibilidade internacional da economia cubana.”

Antes do discurso, o ministro de Economia, Marino Murillo, anunciou que nos últimos seis meses do ano haverá um ajuste no consumo energético, cujo fornecimento pode sofrer uma queda de 25%.

No entanto, Murillo ressaltou que essa restrição não afetará o setor residencial, que gasta 60% da eletricidade produzida na ilha.

Além disso, o ministro afirmou que para lidar com os problemas de liquidez enfrentados pelo país, os pagamentos em moeda estrangeira serão restritos e o crédito será reduzido para evitar o endividamento futuro.

Na semana passada, o governo cubano admitiu que vive um "complexo cenário econômico", que teve impacto nas receitas do país e causou dificuldades na liquidez, especialmente em razão das quedas dos preços internacionais do níquel e do petróleo.

A crise na Venezuela - principal sócio comercial de Cuba - está afetando as vendas de petróleo à ilha, que foram reduzidos em cerca de 20% no primeiro semestre deste ano, segundo um relatório da agência de notícias Reuters com base em dados comerciais da estatal PDVSA. /EFE

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