Raul Castro lidera comemorações de 1º de maio

O presidente de Cuba, Raúl Castro, liderou uma grande marcha em Havana nesta terça-feira em comemoração ao Dia do Trabalho, sob uma faixa que prometia "preservar e aperfeiçoar" a revolução, que já completou 50 anos. Cerca de 2 mil convidados também participaram da parada, que começou por volta das 7h30 e contou com a participação de dezenas de milhares de cubanos.

AE, Agência Estado

01 Maio 2012 | 15h33

Usando uma guayabera branca - uma camisa de mangas curtas com pregas na frente e que é o traje nacional do país comunista - Raúl presidiu a maior das várias comemorações do 1º de maio planejadas em toda a ilha.

Em discurso, o ministro do Trabalho Salvador Valdes, pediu aos trabalhadores cubanos que "continuem a trabalhar de forma ordenada, com disciplina e diligência", enquanto o país passa por uma grande revisão econômica.

Os cubanos enfrentam amplas reformas que têm como objetivo impedir o colapso do sistema de planificação central , mas que não chegam ao ponto de transformar o país numa verdadeira economia de mercado.

Nos últimos anos, o governo instituiu reformas com o objetivo de abrir seu setor privado, cortou um milhão de empregos públicos e reduziu os gastos governamentais.

As reformas também tiveram como alvo abrir caminho para que mais cubanos se tornassem empresários ao montassem seu próprios negócios, o que representa uma enorme mudança no país, onde historicamente o Estado costumava empregar 90% de sua força de trabalho, que é de 5 milhões de pessoas.

As mudanças tiveram início logo depois de Raúl Castro chegar ao poder, em 2008, sucedendo seu irmão, o ícone revolucionário Fidel Castro, que ficou doente e já não era capaz de liderar o país.

Dissidentes criticaram a grande comemoração, questionando a sinceridade dos participantes e se há uma razão verdadeira para celebrar. A escritora oposicionista Yoani Sánchez, disse em seu blog, o "Generación Y", que a enorme festa nacional não traria "surpresas, nem refinamentos, apenas tentativas de coesão e de apresentar centenas de milhares de participantes como um coro unânime de apoio ao sistema".

O ex-prisioneiro político Oscar Espinosa Chepe disse, em artigo publicado na internet, que "a situação atual e futura dos trabalhadores não é mais promissora e não há qualquer razão para celebrar". "O governo, com sua propaganda grosseira, revela problemas enfrentados por outros países, mas esse problemas lamentáveis são eclipsados pelo sofrimento enfrentado pelos cubanos", disse ele. As informações são da Dow Jones.

Mais conteúdo sobre:
Cuba Dia do Trabalho Raul Castro

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.