Raúl Castro menciona possível aposentadoria

Cubano afirma que esclarecerá a questão no discurso que fará amanhã diante do novo Parlamento, que no mesmo dia nomeia o próximo presidente

HAVANA, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2013 | 02h06

A dois dias de cumprir cinco anos como presidente de Cuba, Raúl Castro falou ontem da possibilidade de deixar a chefia do governo de seu país. O líder cubano não especificou a data em que pretende abandonar a presidência e afirmou que amanhã, no discurso que pronunciará durante a nomeação da nova Assembleia Nacional, eleita no início do mês, esclarecerá a questão.

"Vou renunciar", disse Raúl durante um encontro que teve ontem com o primeiro-ministro russo, Dimitri Medvedev, que visita a ilha. "Já vou completar 82 anos (em junho) e tenho direito de me aposentar. Vocês não acham?", afirmou, enquanto ria. "Esperem meu discurso. Não é correto que eu adiante agora (a data em que pretende deixar o governo)", afirmou aos jornalistas que os acompanhavam a uma homenagem a soldados soviéticos mortos na 2.ª Guerra, nas imediações de Havana.

Amanhã, uma nova Assembleia Nacional do Poder Popular, o Parlamento cubano, assumirá e terá como primeira função nomear o novo líder do Conselho de Estado, cargo que Raúl exerce desde 2008.

Em outubro de 2011, o governo cubano anunciou uma reforma que pretende limitar a permanência nos altos postos de comando - incluindo a presidência - a dois mandatos de cinco anos. Mas a mudança, que implicaria uma alteração na Constituição cubana, ainda não foi aplicada oficialmente.

O economista e analista político cubano Oscar Espinosa Chepe, que trabalhou para o governo de Fidel Castro por quase 20 anos e chegou a ser preso depois de passar à dissidência do regime, afirmou ao Estado que, até a tarde de ontem, a declaração do presidente sobre sua possível saída do cargo não havia sido difundida pela imprensa estatal da ilha.

"Aqui não se viu nada disso. Isso vai comover o país. A afirmação é surpreendente, mas ele tem todo o direito de se aposentar. As tarefas que o presidente de Cuba tem adiante são enormes. É preciso gente mais jovem", disse Espinosa.

Durante um discurso em dezembro de 2010, afirmando que a geração histórica da Revolução Cubana tem a "obrigação de aproveitar o peso da autoridade moral" para deixar traçado um rumo para o país, Raúl declarou: "O tempo que nos resta é curto".

"A era pós-Castro vai começar e Yoani Sánchez está no Brasil (mais informações nesta página)", afirmou ontem o blogueiro Yohandry Fontana, que é favorável ao regime cubano. / AP e REUTERS, COLABOROU GUILHERME RUSSO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.