Raúl Castro reconhece e critica problemas sociais de Cuba

O presidente interino cubano, Raúl Castro, aproveitou as últimas sessões da Assembléia Nacional para reconhecer e atacar os problemas sociais do país, especialmente em relação ao abastecimento de alimentos e ao transporte público. Na última reunião, ocorrida no sábado, Raúl usou um tom crítico e enfático: "Nesta revolução, estamos cansados de desculpas". Dirigindo-se a parlamentares, ele reclamou sobre falhas na economia do país, afirmando que não se pode mais justificar problemas no transporte e na alimentação. Foi o seu mais forte discurso desde que assumiu o cargo, quando Fidel adoeceu, há cinco meses. Raúl deixou claro que vai passar a responsabilizar integrantes do governo pelos problemas sociais e pressioná-los a obter resultados mais satisfatórios."A revolução não pode mentir. Imprecisões, dados inexatos e alterados não podem mais existir", declarou Raúl, demonstrando que, diferentemente de Fidel, irá criticar aspectos do regime comunista que não estejam funcionando. Em outra diferença em relação a seu irmão, Raúl fez um discurso curto e com mensagens concretas. O atual presidente atacou os principais problemas cubanos: "O sistema de transporte está entrando em colapso". A ineficiência do transporte público é atualmente a maior reclamação da população - seguida por moradia, escassez de alimentos e a verba recebida do governos, que seria insuficiente. Raúl também criticou a burocracia cubana, que impede o governo de completar o pagamento de dezenas de fazendeiros e funcionários de cooperativa, responsáveis pela produção de 65% dos vegetais consumidos na ilha caribenha. Analistas dizem que ainda é cedo para saber se a franqueza de Raúl poderá evoluir para uma abertura mais generalizada em Cuba.

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