Raúl Castro se reúne com seis congressistas dos EUA

O presidente de Cuba, Raúl Castro, está convencido dos benefícios de dialogar com os Estados Unidos, disseram legisladores democratas norte-americanos, que se reuniram com ele ontem por mais de quatro horas. Seis representantes democratas, os primeiros políticos dessa categoria a reunirem-se com o presidente cubano desde que Raúl tomou posse, em julho de 2006, realizaram uma visita à ilha como forma de assinalar a reaproximação entre os governos dos dois países.

AE-AP, Agencia Estado

07 de abril de 2009 | 15h43

"Estou convencida de que o presidente Raúl Castro quer a normalização das relações e o fim do embargo beneficiaria aos dois países", disse a chefe da delegação, a californiana Barbara Lee. Raúl Castro e os representantes conversaram sobre a maneira de combater, de forma conjunta, o tráfico de drogas e de pessoas e os possíveis intercâmbios comerciais e até culturais, disse Lee. "É chegado o momento de falar com Cuba", afirmou a congressista.

Uma nota divulgada pela chancelaria cubana afirmou que foi abordado o tema das relações bilaterais com a chegada do presidente Barack Obama à Casa Branca. "A esse respeito, Raúl ratificou a posição cubana, a disposição de dialogar sobre qualquer assunto, tendo como únicas premissas a igualdade soberana dos Estados e o absoluto respeito à independência nacional e ao direito inalienável de cada povo", informou a nota.

O representante Bobby Rush disse que o presidente cubano "é o oposto do apresentado pela mídia". "Ele realmente me surpreendeu, com seu senso de humor, seu conhecimento histórico e sua qualidade como ser humano", disse o norte-americano, para quem a conferência transcorreu como se todos fossem "velhos membros da mesma família". A visita dos legisladores ocorreu no momento em que o governo dos EUA anunciou o relaxamento de algumas sanções contra Cuba no que diz respeito a viagens de cubano-americanos para visitar seus familiares na ilha.

Washington mantém desde a década de 1960 rigorosas sanções comerciais contra Cuba, entre outros tipos de medidas que são parte de uma política com o objetivo de pressionar a ilha a mudar seu sistema de governo. No começo do mês, o senador republicano Richard Lugar sugeriu que Obama designe um enviado especial para começar um diálogo com Cuba.

No entanto, os legisladores democratas que se reuniram com Raúl Castro afirmaram que sua delegação não teve como objetivo negociar. "Não viemos com o objetivo de negociar, mas de dialogar e cultivar relações", afirmou o congressista Emanuel Cleaver. Os representantes indicaram que farão um relatório sobre a visita e seus resultados para a secretária de Estado, Hillary Clinton, e para o presidente Barack Obama.

Fidel

O ex-presidente Fidel Castro, que não é visto em público desde julho de 2006, escreveu ontem em sua coluna nos jornais estatais que Cuba não teme conversar diretamente com os EUA. Tanto Fidel quanto Raúl dizem há décadas que gostariam de conversar pessoalmente com líderes norte-americanos. Atualmente, os dois países não têm relações diplomáticas.

Numa segunda coluna publicada na noite de ontem no site do governo, o ex-presidente saudou os membros do Congresso norte-americano por terem visitado a ilha, dizendo que "valoriza o gesto do grupo legislativo". "Eles são testemunhas do respeito com o qual os norte-americanos que visitam nossa terra são sempre recebidos", escreveu Fidel.

Legisladores das duas Casas do Congresso dos EUA já propuseram a eliminação da proibição das viagens a Cuba, efetivamente levantando um importante componente do embargo à ilha. Os representantes que estiveram em Cuba disseram que apoiarão esses esforços.

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