Raúl compara oposição cubana a rebeldes sírios e líbios

Presidente cubano diz que 'grupelhos' tentam iniciar mesmo tipo de revoltas da Primavera Árabe

HAVANA, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2012 | 03h07

O presidente de Cuba, Raúl Castro, acusou ontem "grupelhos" da oposição ao regime de tentar provocar na ilha revoltas similares aos levantes da Primavera Árabe. O líder cubano comemorou o aniversário de 59 anos do assalto ao Quartel Moncada, a primeira ação armada da Revolução Cubana. No discurso, Raúl disse novamente estar disposto a começar um diálogo "em igualdade de condições" com os EUA.

"Esses grupelhos querem repetir aqui algum dia o que ocorreu na Líbia e o que pretendem fazer na Síria", disse. As declarações de Raúl foram as primeiras desde a morte do dissidente Oswaldo Payá, em uma colisão de trânsito no domingo. Cerca de 50 opositores do regime, que pedem uma investigação da morte, foram presos no dia do enterro e liberados horas depois. O presidente cubano não fez nenhuma menção ao episódio.

Payá e o dissidente cubano Harold Cepero morreram quando o carro em que viajavam chocou-se com uma árvore em Bayamo, a 744 quilômetros de Havana. Um ativista sueco e um espanhol que viajavam com eles ficaram feridos no acidente.

Os filhos de Payá e representantes da comunidade cubana nos EUA questionaram a versão oficial para a morte do dissidente e insinuaram que o regime poderia estar por trás da colisão.

Os estrangeiros que viajavam com Payá foram identificados como Jens Aron Modig e Ángel Carromeno. O sueco sofreu ferimentos leves e está em um centro de imigrantes em Havana. O espanhol, membro do Partido Popular, de direita, foi preso e espera a decisão da Justiça cubana sobre uma possível de abertura de processo criminal.

"Não sabemos ainda quando Aron voltará à Suécia, mas esperamos que seja o mais rápido possível", disse o secretário do Partido Democrata-cristão sueco, Kalle Beck.

As autoridades cubanas não detalharam a situação legal dos ativistas europeus, que estão no país com visto de turista.

Na quarta-feira, o Departamento de Estado dos EUA cobrou explicações do regime de Havana. "O governo cubano deveria investigar a fundo e de maneira transparente o acidente", disse o subsecretário de Assuntos Públicos, Mike Hammer.

Na única referência aos EUA no discurso de 55 minutos, Raúl disse estar disposto a um diálogo "em igualdade de condições" com Washington sobre temas importantes para os dois países. "Vamos discutir tudo", prometeu. / AFP

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