Raúl demite ministra da Indústria de Cuba

Medida, adotada após o anúncio de que 500 mil funcionários públicos serão despedidos, é visto como mais um sinal de reformas econômicas na ilha

REUTERS, AP e AFP, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2010 | 00h00

HAVANA

Depois de anunciar a demissão de meio milhão de funcionários públicos até 2011, o presidente cubano, Raúl Castro, moveu ontem a última peça herdada de seu irmão Fidel na equipe econômica - a ministra da Indústria Básica, Yadira García. Ela foi demitida por "deficiências na direção" e "débil controle dos recursos destinados ao processo de investimento e produção", conforme nota publicada no jornal estatal Granma.

A medida é vista por analistas como mais um passo na direção de reformas liberalizantes que devem aumentar a presença de capital privado na ilha, além de permitir que cada vez mais cubanos abram seus próprios negócios, comprem terras ou possam negociar os imóveis onde vivem.

A ministra Yadira, de 54 anos, é engenheira química e membro do seleto bureau do Comitê Central do Partido Comunista Cubano (PCC). Desde 2004, ela controlava a pasta mais importante da economia da ilha, responsável pela indústria petrolífera, química e petroquímica, além da geração de energia e da mineração, uma das áreas mais importantes do país, já que o níquel é o principal produto de exportação. O ministério ficará temporariamente sob a responsabilidade do vice-ministro Tomás Benítez.

A aceleração nas reformas coincidiram com a declaração de Fidel, há uma semana, de que "o modelo cubano já não funciona mais". Apesar de ter dito um dia depois que tinha sido mal interpretado pela imprensa, o sinal foi visto como uma mensagem do líder cubano ao núcleo duro do PCC que ainda resiste ao avanço reformista de Raúl.

Ontem, milhares de trabalhadores participaram das assembleias organizadas pela Central de Trabalhadores de Cuba (CTC) e pelos Comitês de Defesa da Revolução para discutir o anúncio das 500 mil demissões. "Queremos fazer com que os trabalhadores entendam a necessidade inadiável de aplicar essa política", disse o secretário-geral da CTC, Salvador Valdés.

O sistema cubano prevê que os sindicalistas leiam o anúncio da medida, expliquem seu teor e, em seguida, recolham as observações dos trabalhadores, que serão transmitidas ao governo. A CTC e o PCC são responsáveis por fiscalizar o processo.

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