Raúl diz estar disposto a dialogar com os EUA

Presidente, num gesto depois repetido pelo irmão Fidel, conversou com seis deputados americanos em Havana, num sinal de possível distensão

Reuters, AP, AFP e NYT, HAVANA, O Estadao de S.Paulo

08 de abril de 2009 | 00h00

O presidente cubano, Raúl Castro, afirmou que está disposto a dialogar sobre qualquer assunto com o governo dos EUA.O comunicado oficial foi divulgado ontem, após o encontro de Raúl com seis congressistas democratas americanos na segunda-feira.Foi o primeiro contato do presidente cubano com autoridades americanas desde que ele foi efetivado no cargo, em fevereiro de 2008.Em um claro sinal da disposição de distender as relações diplomáticas entre os dois países, a delegação americana, liderada pela deputada Barbara Lee, da Califórnia, chegou na sexta-feira a Havana em busca de contatos para começar a normalizar os laços entre Cuba e EUA.Também integraram o grupo os deputados Melvin Watt e Laura Richardson (Califórnia), Bobby Rush (Illinois), Marcia Fudge (Ohio) e Emanuel Cleaver (Missouri). Segundo Barbara, a delegação voltaria a Washington com uma mensagem clara para o presidente Barack Obama: "Chegou a hora de dialogar com Cuba. O momento é agora", disse a deputada, que apresentará um relatório da viagem para Obama antes da Cúpula das Américas, que ocorre entre os dias 17 e 19, em Trinidad e Tobago. A congressista classificou de "franca" e "aberta" a conversa com Raúl. Ela disse que o presidente cubano considera o fim do embargo e a normalização das relações bilaterais como um benefício tanto para Washington quanto para Havana.Após a visita oficial, Raúl disse que o diálogo pode ocorrer desde que Obama "respeite as condições de igualdade entre os dois países". Segundo o presidente cubano, durante a reunião de quatro horas e meia com os deputados americanos, houve uma "ampla troca de informações" e foi abordada "a evolução das relações de Cuba e EUA".A reunião ocorreu no momento em que aumenta a expectativa pelo anúncio do levantamento das restrições de viagens a Cuba de cubanos que moram nos EUA e do envio de dinheiro para parentes na ilha. Na semana passada, o jornal Wall Street Journal revelou que Obama suspenderá em breve as restrições de viagens e remessas de dinheiro. A informação foi confirmada na segunda-feira por Jeffrey Davidow, assessor especial do presidente americano para a Cúpula das Américas.FIDELAntes de deixar Cuba, três dos seis deputados americanos - entre eles, Barbara Lee - se reuniram também com o ex-presidente Fidel Castro, que havia elogiado, num artigo divulgado pela imprensa oficial na segunda-feira, o gesto dos congressistas dos EUA. Barbara disse que Fidel está "muito saudável e muito lúcido"."Eles são testemunhas excepcionais do respeito com que sempre recebemos os americanos que visitam nossa pátria", escreveu o líder cubano, que não divulgou mais detalhes sobre o encontro.

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