Carlo Allegri / Reuters
Carlo Allegri / Reuters

Raúl fixa limite de 70 anos para líderes do Partido Comunista

Presidente cubano diz que objetivo é rejuvenescer o sistema de cargos do partido; em discurso, líder anuncia reformas econômicas no país

O Estado de S. Paulo

17 Abril 2016 | 19h49

HAVANA - O presidente de Cuba, Raúl Castro, anunciou que será fixado um limite de 60 anos como idade máxima para a entrada no Comitê Central do Partido Comunista e de 70 anos para desempenhar cargos de liderança na organização.

Esses limites, juntamente com a proposta feita no ano passado de que os cargos políticos sejam limitados a dois mandatos, “garantirá desde a base o rejuvenescimento de todo o sistema de cargos no partido, disse Raúl durante discurso de abertura do VII Congresso do Partido Comunista, no sábado. 

O presidente cubano não descartou a possibilidade de que, mais adiante, esses limites de idade sejam aplicados também aos cargos de instituições governamentais e postos de responsabilidade das organizações de massa.

Os atuais líderes cubanos incluem vários septuagenários ou octogenários veteranos da Revolução Cubana, de 1959, encabeçada por Fidel Castro. Há uma crescente urgência para que eles façam planos de sucessão para manter vivo o partido quando partirem.

Raúl tem 84 anos e após sua aposentadoria do governo em 2018 o país provavelmente será liderado por alguém com um sobrenome diferente pela primeira vez desde que seu irmão derrubou um governo pró-EUA há quase seis décadas.

As declarações, na abertura do VII Congresso do Partido Comunista, que termina na segunda-feira, foram recebidas silenciosamente. “Tão sérios! Que silêncio causa esse assunto. Não achem que porque vocês não podem estar na liderança do país, não podem fazer nada”, disse Raúl, sugerindo que os idosos continuem como ativistas do partido e passem mais tempo com seus netos.

O líder cubano também reafirmou perante a militância do PC a necessidade de favorecer a “convivência civilizada” com os EUA para conseguir a normalização de relações após o degelo diplomático.

“É longo e complexo o caminho rumo à normalização dos vínculos bilaterais e avançaremos na medida em que formos capazes de colocar em prática a arte da convivência civilizada, a necessidade de aceitar as diferenças, que são e serão várias e profundas”, disse Raúl.

Durante a leitura do extenso Relatório Central, ele citou como principais obstáculos na nova etapa de normalização o embargo econômico dos EUA e a “ilegal” base naval americana em Guantánamo. Também considerou que “não correspondem com a declarada mudança de política” os programas financiados pelo governo dos EUA “com o objetivo de mudar o sistema” e a “política migratória”, que “continua sendo usada como uma arma contra a Revolução”.

Raúl reconheceu como “positivos” os esforços de Barack Obama para flexibilizar o “bloqueio” e seus pedidos ao Congresso dos EUA por sua eliminação, mas considerou que estas ações “não são suficientes”.

Reforma. O presidente anunciou que realizará nos próximos anos uma reforma constitucional para incluir as transformações do plano de “atualização” socialista, mas sem alterar o “caráter irrevogável” do atual sistema político e social. Ele afirmou que essa reforma deverá ser aprovada pela Assembleia Nacional. Além disso, ele prevê uma “ampla participação popular”, incluindo um referendo.

Raúl também anunciou um aumento no número de micro, pequenas e médias empresas privadas em função das reformas econômicas empreendidas no país há cinco anos. /REUTERS e EFE

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