Raúl põe limites ao diálogo com EUA

Líder rejeita negociar seu sistema político e dar mais sinais a Obama

EFE E AFP, O Estadao de S.Paulo

30 de abril de 2009 | 00h00

O presidente cubano, Raúl Castro, qualificou ontem de "mínima" a decisão do presidente dos EUA, Barack Obama, de liberar as viagens e o envio de dinheiro de cubano-americanos à ilha. Segundo Raúl, Cuba não está disposta a negociar com os EUA seu sistema político nem pretende fazer gestos a Washington - como pediu Obama após o anúncio do fim das restrições, no dia 13. Havana exige o levantamento incondicional do embargo econômico e comercial decretado pelos EUA nos anos 60 para enfraquecer seu regime comunista. "Não há pretexto político ou moral para justificar essa política (o embargo). Cuba não impôs nenhuma sanção contra os EUA nem contra seus cidadãos, por isso não é a ilha que tem de fazer gestos", afirmou Raúl. "Já reiteramos nossa disposição de falar sobre tudo com os EUA em igualdade de condições, mas não vamos negociar nossa soberania, nosso sistema político e social, nossos assuntos internos e nosso direito à autodeterminação", completou, num discurso durante uma reunião ministerial dos Países Não-Alinhados, em Havana.A resposta da Casa Branca não demorou. Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado, Robert Wood, pediu mais sinais da ilha. "Estamos interessados em conversar com Cuba, mas acreditamos que a comunidade internacional quer ver Havana dando alguns passos para verificar a seriedade desse governo em relação ao diálogo", disse. Entre os "sinais" que os EUA esperam de Havana para retomar o diálogo estão a libertação de dissidentes presos e a eliminação das tarifas aos dólares enviados à ilha. Logo após o anúncio americano, Raúl afirmou, em Caracas, que estaria disposto a negociar "tudo" com os EUA, desde a liberdade de imprensa até os direitos humanos na ilha. Dias mais tarde, Obama anunciou, na 5ª Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago, querer "um novo começo" nas relações com Cuba. Mas, há pouco mais de uma semana, o ex-presidente Fidel Castro publicou um artigo dizendo que Obama "interpretou mal" as afirmações de seu irmão Raúl na Venezuela.

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