EFE/ZIPI
EFE/ZIPI

Raúl presta homenagens ao irmão em cerimônia na Praça da Revolução em Havana

Presidente cubano disse que Fidel ‘dedicou sua vida à solidariedade, liderou uma revolução socialista dos humildes, pelos humildes e para os humildes que se tornou em um símbolo da luta anticolonialista, anti-apartheid e anti-imperialista’

O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2016 | 07h48

HAVANA - O presidente de Cuba, Raúl Castro, homenageou na terça-feira seu irmão Fidel Castro - morto na sexta-feira aos 90 anos - com um discurso no qual fez uma revisão histórica dos marcos vividos juntos na Praça da Revolução de Havana, desde a reforma agrária até a morte de Ernesto “Che” Guevara.

"É aqui onde nós celebramos nossas vitórias, te dizemos junto a nosso abnegado, combativo e heroico povo: até a vitória, sempre!" disse Raúl, o último a discursar no ato de homenagem celebrado para se despedir do comandante da Revolução Cubana.

Esta é a primeira intervenção pública do presidente desde quando fez um anúncio, transmitido pela rede de televisão estatal, divulgando a morte de seu irmão, que há dez anos delegou a ele o poder em razão de seu estado de saúde.

Raúl iniciou seu discurso com uma mensagem de "sincera gratidão" em nome do povo cubano, do Partido Comunista e da família Castro pelas "emocionantes palavras" pronunciadas no ato, e as "extraordinárias e incontáveis mostras de solidariedade, afeto e respeito recebidas de todo o planeta nesta hora de dor e de compromisso".

Fidel "dedicou sua vida à solidariedade, liderou uma revolução socialista dos humildes, pelos humildes e para os humildes que se tornou em um símbolo da luta anticolonialista, anti-apartheid e anti-imperialista, pela emancipação e a dignidade dos povos", afirmou.

"Suas vibrantes palavras ressoam hoje nesta praça", afirmou, antes de recordar alguns dos principais eventos ocorridos no emblemático cenário de Havana. No local, o líder cubano ratificou a Lei da Reforma Agrária, uma das primeiras medidas econômicas mais importantes após o triunfo da Revolução. Também foi ali onde aconteceram as primeiras declarações da capital cubana de 1960 e 1962, que reafirmaram a soberania da ilha e sua relação com as comunistas União Soviética e China.

"Diante das agressões apoiadas pela Organização dos Estados Americanos, Fidel proclamou que, por trás da pátria, por trás da bandeira livre, por trás da revolução redentora, há um povo digno, disposto a defender sua independência e o comum destino da América Latina livre", prosseguiu.

Raúl lembrou ainda que estava ao lado do seu irmão em um dos edifícios perto da Praça da Revolução quando, em 1960, a sabotagem do navio francês "La Couvre", que transportava uma carga de armas, deixou 101 mortos na baía de Havana.

"E aqui ele fez a declaração de Cuba como território livre do analfabetismo em dezembro de 1961", relatou Raúl, se referindo à Campanha de Alfabetização, que havia sido iniciada naquele ano, a partir da qual aprenderam a ler e escrever 707 mil cubanos e que tornou possível a educação gratuita para todos.

A Praça da Revolução também foi testemunha, em 2000, do momento em que Fidel Castro expôs seu "conceito de Revolução", e do respaldo aos acordos dos congressos do Partido Comunista. "Nesse mesmo espírito veio nestes dias o povo, com uma grande participação dos jovens, prestar homenagens e jurar lealdade às ideias e à obra do líder da Revolução Cubana", disse Raúl.

"É aqui onde nós celebramos nossas vitórias, te falamos ao lado do nosso abnegado, combativo e heroico povo: "até a vitória, sempre!", concluiu o presidente cubano sob os gritos de "Eu sou Fidel" e "Raúl, amigo, o povo está contigo".

Bolívia. O presidente da Bolívia, Evo Morales, reconheceu na terça-feira, durante homenagem póstuma a Fidel, que "perdeu" o líder cubano, mas acrescentou que ele "não morreu" e que está "mais vivo que nunca".

Morales aproveitou seu discurso, diante de centenas de milhares de pessoas que se reuniram na Praça da Revolução, para lançar uma mensagem "anti-imperialista". "Fidel colocou Cuba no mapa do mundo lutando contra a cobiça do império. Fidel demonstrou ao mundo que não há império perpétuo, nem poder imperial", disse.

O líder boliviano declarou que seu país está de luto por uma semana pela morte do comandante cubano, e agradeceu em vários momentos de seu discurso Fidel Castro e Cuba por sua ações. "Derrotou nas Nações Unidas os EUA com a razão e a justiça", disse, acrescentando que "Fidel não apenas garantiu saúde e educação em Cuba", mas em muitos outros países do mundo.

"Muito obrigado, Fidel", disse Morales, afirmando que o ex-presidente cubano "foi um verdadeiro pai dos excluídos, dos marginalizados, dos mais pobres do mundo".

Rússia. A Rússia permanecerá ao lado de Cuba e concede um "imenso valor" a seus laços com a ilha, afirmou o presidente da Duma, a Câmara dos Deputados do país, Vyacheslav Volodin, durante o ato de homenagem a Fidel.

Veja abaixo: Raúl agora ocupa sozinho os holofotes

Volodin, chefe da representação russa na homenagem póstuma, iniciou seu discurso cumprimentando o "querido Raúl", em referência ao presidente cubano. O representante da Rússia também destacou a "imensa" contribuição do ex-mandatário cubano para o estabelecimento e desenvolvimento das relações entre os dois países e reafirmou que, "apesar da distância" que os separa, a potência europeia estará sempre ao lado da ilha socialista.

"A causa do lendário comandante estará viva e a amizade entre Cuba e Rússia seguirá se fortalecendo", disse Volodin, terceira autoridade política de seu país. / EFE

Tudo o que sabemos sobre:
Fidel CastroRaúl CastroCuba

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.