Razões políticas tiraram Bustani da Opaq, diz Fleicher

O professor David Fleicher, cientista político da Universidade de Brasília, disse hoje que a saída de José Maurício Bustani da direção da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), a pedido dos Estados Unidos, foi um "engôdo" para afastar o brasileiro do comando da entidade. Segundo ele, as chamadas "alegações de gestão" ou "questões administrativas", manifestadas pelos americanos para reivindicar a destituição de Bustani do cargo, na verdade, nunca foram elucidadas, o que leva a crer que as razões para a saída de Bustani foram mesmo políticas. Em entrevista à Rádio Eldorado AM/SP, o cientista político concordou com a tese de que os Estados Unidos praticamente exigiram a saída de Bustani por causa de sua aproximação com o Iraque. "Bustani estava trabalhando para levar o Iraque para dentro da organização porque poderia ser melhor fiscalizado, mas esse não era o caminho que os americanos queriam. Eles queriam que o Iraque fosse declarado eixo do mal ou inimigo da humanidade para justificar uma eventual invasão", declarou Fleicher.ItamaratyNa opinião do professor, ao contrário de outros episódios, desta vez o Itamaraty lutou muito para evitar um confronto com os Estados Unidos. Ele lembrou o caso da Venezuela, quando, ao lado do México, o Brasil liderou os países latinoamericanos e impôs derrota flagrante aos americanos. Situação idêntica, lembrou, aconteceu na Organização dos Estados Americanos (OEA), quando o País ficou contra o governo Clinton em relação à questão do ex-presidente peruano Alberto Fujimori. "Muitas pessoas alegam que, desta vez, o Itamaraty não levantou um só dedo para mobilizar apoio para Bustani, achando que seria mais importante manter uma relação razoável com os Estados Unidos. Desta vez, o Itamaraty achou melhor evitar o confronto, tanto que, na América Latina, só México e Cuba votaram a favor de Bustani".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.