Razões por que a eleição parlamentar iraniana é uma farsa

Seja qual for o resultado das urnas, o Parlamento do Irã representará apenas os grupos mais retrógrados e corruptos da república

O Estado de S.Paulo

03 de março de 2012 | 03h07

Artigo

Em apenas duas ocasiões eleições recentes no Irã refletiram a vontade do povo e produziram resultados particularmente surpreendentes e desorientadores para o establishment. A primeira foi em 1997 com a eleição de Mohammad Khatami, e de novo, três anos atrás, em junho de 2009, quando a oposição democrática, liderada pelo reformista Mir Hussein Mousavi - um ex-primeiro-ministro com reputação de honestidade, integridade e política limpa - foi muito bem votada, mas sua vitória foi barrada por fraudes eleitorais.

Os protestos populares foram respondidos com prisões em massa, ataques nas ruas e assassinatos, e um espetáculo de força por policiais, Guarda Revolucionária, membros de milícias e agentes de segurança à paisana. Mousavi e um colega líder da oposição, Mehdi Karroubi, estão ilegalmente detidos em prisão domiciliar desde fevereiro de 2011.

A eleição realizada ontem é totalmente diferente; foi uma farsa. De novo, a Guarda Revolucionária e a milícia Basij estavam atarefadas preparando-se, como fizeram no passado, para arrastar homens e suas famílias até as urnas com listas preparadas de votos.

Essa eleição "manipulada" renderá uma série de deputados servis e escolhidos a dedo que simplesmente obedecerão ordens da elite governante. Os deputados serão usados para apresentar uma fachada democrática ao mundo.

Com a oposição democrática iraniana de lado, a corrida ficou aberta a duas facções autoritárias - uma liderada pelo presidente fraudulentamente eleito, Mahmoud Ahmadinejad, e a outra por um grupo conservador igualmente inescrupuloso.

Seu anterior "casamento de conveniência" foi agora dissolvido.

Não há diferenças ideológicas genuínas entre essas facções; o que as motiva é um desejo de poder e controle da riqueza petrolífera do país.

Seja qual for o desfecho da eleição, e obtenha quem obtiver a maioria no Parlamento, dias muito mais duros nos esperam - em especial porque eles entrelaçaram seu destino ao do governo assassino da Síria em vez de apoiar a luta do povo sírio.

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