RCTV recupera prestígio e faz crescer procura por TV a cabo

Com programação popular, emissora tirada do ar em maio já é a de maior audiência no segmento por assinatura

O Estadao de S.Paulo

29 de março de 2008 | 00h00

Determinada a sobreviver, a Rádio Caracas Televisão (RCTV) - que teve a renovação de concessão para emitir em canal aberto negada pelo governo de Hugo Chávez e saiu do ar em maio de 2007 - começa a recuperar seu prestígio, apesar da limitação da transmissão via cabo. Segundo a diretora do departamento jurídico da emissora, Moirah Sánchez Sanz, que cita números da Câmara Venezuelana de Comércio, a RCTV foi responsável por um aumento de 30% na venda de assinaturas de TV a cabo entre junho e feverereiro."Apesar de tudo que sofremos, já somos o canal a cabo de maior audiência da Venezuela, superando até gigantes internacionais, como CNN, Cartoon, Fox, Sony, etc.", disse Moirah ao Estado. "Isso é uma demonstração clara de nossa capacidade de resistir à violência de que fomos vítimas."A RCTV, com uma grade de programação popular - composta por novelas, programas de auditório, filmes e telejornais - e cobertura nacional, era vista por 70% da população. Muitos analistas venezuelanos atribuem ao fechamento da emissora a derrota de Chávez no referendo de dezembro, no qual pretendia aprovar uma série de reformas constitucionais que ampliariam substancialmente seus poderes e lhe permitiriam candidatar-se a quantas reeleições quisesse."O fechamento da RCTV mostrou o cinismo do governo a um setor grande da população que ainda confiava em Chávez", afirmou o chefe de informação do jornal El Universal, Miguel San Martín. "Mostrou a face do regime interessada em fustigar o dissenso e calar as críticas por meio da violência política."Coincidência ou não, por mais que sejam contestados e qualificados de manipuladores pelo chavismo, dois institutos de pesquisa - o Keller & Associados e o Datum - vêm indicando um acentuado declínio na popularidade de Chávez, situando-a entre 20% e 30%. Nas eleições de 2004, Chávez foi reeleito com quase dois terços dos votos.A TVes, emissora estatal que assumiu o espaço da RCTV, não decola: sua audiência é de 6% das TVs ligadas e já foi alvo de críticas até de Chávez, que sugeriu a adoção de programas mais atraentes. A principal acusação do líder venezuelano à RCTV, e o pretexto para varrê-la do ar, era a de que ela apoiou o fracassado golpe golpe contra ele em maio de 2002. A restrição das transmissões da RCTV teve conseqüências drásticas para a empresa. "Dos 3.000 funcionários que tínhamos, ficaram apenas cerca de 1.500", diz Moirah. "Graças a alianças com algumas emissoras estrangeiras, como a colombiana RCN, estamos internacionalizando a programação e recuperando a confiança dos patrocinadores que sempre nos acompanharam. Com isso, temos batido seguidos recordes de anunciantes para emissoras a cabo, o que tem nos ajudado a manter a RCTV como uma empresa economicamente viável."Juridicamente, explicou Moirah, a situação da TV segue complicada. "Há duas semanas, o Tribunal Supremo negou uma medida cautelar que havíamos impetrado. Isso acontece sistematicamente e não vejo como poderemos recuperar o sinal aberto enquanto o Judiciário estiver controlado pelo governo." D

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