Alexander F. Yuan/AP
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Ré confessa, mulher de Bo Xilai é julgada

Gu Kailai, segundo jornal de Hong Kong, admitiu ter envenenado empresário britânico

Cláudia Trevisan, correspondente em Pequim,

07 de agosto de 2012 | 21h22

PEQUIM - Personagem central do maior escândalo político da China em duas décadas, Gu Kailai começará a ser julgada quinta-feira sob acusação de homicídio, em um caso que dará indícios do destino de seu marido, Bo Xilai, uma das principais estrelas do Partido Comunista do país até cair em desgraça, em fevereiro.

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Gu já teria confessado o crime, de acordo com um promotor que revelou a informação ao jornal South China Morning Post. Até o veredicto já foi antecipado pela imprensa oficial chinesa: culpada. A dúvida é quanto à punição, que pode variar de 15 anos de prisão à pena de morte. "Os fatos são claros e as provas, irrefutáveis e substanciais", disse a agência de notícias Xinhua no fim de julho.

Advogada de sucesso, atraente e filha de um veterano general comunista, Gu é acusada de envenenar o empresário britânico Neil Heywood, que amanheceu morto em novembro no quarto de um hotel da megacidade de Chongqing, que era governada por Bo Xilai. O crime teria sido cometido com a ajuda de Zhang Xiaojun, empregado do casal que também será julgado amanhã.

Heywood tinha laços com a família Bo havia 20 anos. Segundo a Xinhua, o britânico teve um conflito a respeito de "interesses econômicos" com o filho único de Bo e Gu, Bo Guagua, que estuda em Harvard. Tudo indica que, além de conseguir vagas para o rapaz em colégios de elite a preços exorbitantes na Grã-Bretanha, Heywood ajudava o casal a enviar dinheiro ao exterior.

A menção de Guagua no texto da Xinhua foi interpretada por analistas como um sinal de que Gu está livre da pena de morte. Segundo a agência, a advogada temia pela segurança de seu filho, o que pode ser apresentado como um atenuante do crime.

A suspeita de que Heywood foi assassinado apareceu em fevereiro, quando o ex-braço direito de Bo, Wang Lijun, se refugiou no Consulado dos Estados Unidos de Chengdu, capital da Província de Sichuan, localizada a 270 quilômetros de Chongqing. Wang havia sido afastado dias antes da chefia de segurança pública da cidade e temia ser assassinado a mando de Bo, a quem teria apresentado a suspeita de que Gu era responsável pela morte de Heywood. Até então, a versão oficial era a de que o britânico havia morrido vítima do consumo excessivo de álcool, apesar de seus amigos sustentarem que ele era quase abstêmio.

Como em todos os casos politicamente sensíveis na China, o julgamento de Gu é controlado de perto pelas autoridades de Pequim. O destino da advogada será decidido por uma corte intermediária de Hefei, capital da Província de Anhui, que está a mil quilômetros de Chongqing.

Correspondentes estrangeiros não poderão assistir à sessão e as informações publicadas na imprensa chinesa estarão submetidas a estrita censura. O governo de Pequim, porém, deve permitir que dois representantes da embaixada britânica acompanhem o julgamento.

O Judiciário não possui independência na China e é subordinado ao Partido Comunista. Em casos de extrema sensibilidade, o acusado não pode nem mesmo escolher seu defensor. A família de Gu havia contratado o advogado de Pequim Shen Zhigeng para representá-la, mas não será ele que aparecerá na corte.

Gu terá dois defensores de Anhui, que possuem uma longa história de boas relações com o governo. "Ambos são advogados ‘vermelhos’, que têm sólidas credenciais políticas", disse ao Estado o advogado especialista em direitos humanos Li Fangping. "O representante escolhido pela família, Shen Zhigeng, não é facilmente controlável. Por isso, o governo escolheu nomes locais." 

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