Reação iraquiana alveja civil britânico e escritório da ONU

O assassinato à queima-roupa de um repórter britânico desarmado numa rua de Bagdá e um ataque de granada contra uma complexo das Nações Unidas levantaram preocupações hoje de que uma insurgência cada vez mais intensa no Iraque - que até agora alvejava apenas tropas de ocupação e iraquianos acusados de colaboracionismo - vai passar a atingir ocidentais em geral. Neste domingo, um homem feriu criticamente um soldado americano que esperava para comprar um refrigerante na Universidade de Bagdá, num disparo à queima-roupa, o terceiro ataque do tipo em nove dias. O mesmo estilo de ação foi usado no assassinato de um jovem cameraman freelance britânico, que foi baleado na cabeça na frente de um museu de Bagdá no sábado. Tropas dos EUA patrulhando Bagdá e outras regiões têm sido atacadas várias vezes diariamente, assim como policiais e civis iraquianos trabalhando com as forças de ocupação. No ataque mais recente do tipo, uma explosão na cidade ocidental de Ramadi matou sete recrutas da polícia iraquiana que iam se graduar de um curso ministrado por militares americanos no sábado. Vários outros ficaram feridos. Alvo em civis O major William Thurmond, do Exército dos EUA, disse ser cedo demais para afirmar que os insurgentes passaram agora a alvejar também civis ocidentais, mas ele admitiu que tal estratégia iria afetar o pessoal da mídia e esforços de ajuda humanitária. O assassinato de cameraman Richard Wild, de 24 anos, ocorreu por volta do meio-dia. A vítima não carregava sinais aparentes que o identificavam como um repórter. Wild, que havia chegado ao país há duas semanas com a intenção de tornar-se um correspondente de guerra, foi morto com um único tiro de pistola disparado à queima-roupa na altura da nuca, disseram colegas. O assassino desapareceu no meio da multidão. Um atacante com uma pistola havia ferido criticamente com um tiro na nuca um soldado americano que fazia compras nas ruas de Bagdá em 27 de junho. No sábado, insurgentes dispararam uma granada propelida por foguete contra o escritório da Organização Internacional para Migração da ONU em Mosul, 385 km a noroeste de Bagdá. A granada bateu num muro e danificou vários carros, disse Hamid Abdel-Jabar, porta-voz da ONU no Iraque. Ninguém foi detido. Alvo em militares Também hoje, um grupo autoproclamado Guerra Sagrada e Vigilância assumiu responsabilidade por ataques contra tropas americanas em Faluja, uma cidade dominada por muçulmanos sunitas 69 km a oeste de Bagdá. "Estamos promovendo operações contra a ocupação americana aqui em Faluja e em outras cidades iraquianas", disseram num comunicado, divulgado pela al-Alam TV, financiada pelo Irã, em Bagdá. "Saddam e os EUA são duas faces da mesma moeda". Em outros ataques, um soldado dos EUA ficou levemente ferido hoje quando insurgentes lançaram uma granada propelida por foguetes contra uma base do Exército dos EUA em Abu Sada al-Sagra. E forças americanas mataram dois insurgentes no sábado que haviam disparado um lança-granadas contra elas nos arredores da capital. Militares dos EUA anunciaram o fim da Operação Serpente do Deserto. Durante os sete dias da ação, 30 iraquianos foram mortos e 282 detidos, e 28 soldados americanos ficaram feridos. Os militares informaram ter confiscado centenas de armas e munições.

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