Real IRA assume autoria de ataque na Irlanda do Norte

Grupo dissidente disse estar por trás de tiroteio que matou dois militares neste fim de semana

Efe e BBC Brasil,

08 de março de 2009 | 15h54

O Real IRA, uma dissidência do já inativo Exército Republicano Irlandês (IRA), assumiu neste domingo, 8, a autoria do atentado cometido o sábado contra uma base militar na Irlanda do Norte, que deixou dois soldados britânicos mortos. O jornal irlandês Sunday Tribune, com sede em Dublin, disse ter recebido uma ligação anônima feita em nome da dissidência na qual o grupo assumia a responsabilidade pelo ato. A publicação dá credibilidade à ligação porque o informante, que não pediu desculpas pelo ataque, usou uma palavra-chave correspondente à organização. O Real IRA é um grupo dissidente do IRA que se opõe ao processo de paz na Irlanda do Norte e à estratégia democrática do braço político do Exército Republicano Irlandês, o Sinn Féin, de Gerry Adams. Além dos soldados mortos, outros dois militares e dois civis - entregadores de pizza - ficaram gravemente feridos no atentado, cometido na base de Massereene, no condado de Antrim e 25 km ao norte de Belfast. Um deles está em estado crítico. O superintendente da Polícia da Irlanda do Norte (PSNI) responsável pela investigação, Derek Williamson, informou que os pistoleiros começaram a atirar indiscriminadamente com armas automáticas a partir de um veículo no qual fugiram depois. Eles aproveitaram as portas da base se abrirem para deixar os dois entregadores de pizza entrar, por volta de 18h40 (de Brasília) do sábado, para iniciar o ataque. Os soldados que foram mortos estavam se preparando para serem enviados ao Afeganistão. Eles foram os primeiros soldados britânicos a serem mortos na Irlanda do Norte desde 1997, quando Stephen Restorick foi morto por um atirador do IRA. Um porta-voz da polícia afirmou que os atiradores dispararam tiros contra soldados e funcionários do Exército estavam no portão da base, recebendo pizzas de um entregador. A rede de pizzarias Domino's Pizza divulgou um comunicado confirmando que dois de seus funcionários teriam sido atingidos e estão sendo tratados em um hospital próximo da base.  Paz na IrlandaUma grande operação de segurança foi formada na região e a área do quartel foi isolada. O primeiro-ministro Gordon Brown condenou o ataque, que classificou como "diabólico". Ele disse que nenhum "assassino" arruinará o processo de paz, que conta com o apoio da população da Irlanda do Norte. "Acho que o país inteiro está chocado e impressionado com a perversidade e covardice dos ataques contra soldados que servem seu país", disse o premiê à BBC. Segundo Brown, o governo fará "tudo que estiver ao alcance" para garantir que os responsáveis sejam levados à Justiça e assegurar que a Irlanda do Norte está segura. O ministro britânico para a Irlanda do Norte, Shaun Woodward, também condenou o tiroteio ao qualificá-lo como "ato de barbarismo criminoso". Segundo ele, o ataque foi planejado com cuidado e tinha a intenção de ser um "assassinato em massa". O primeiro-ministro do país, Peter Robinson, disse que o ataque é uma "terrível lembrança dos eventos do passado". O atentado ocorreu um dia depois do anúncio da polícia da Irlanda do Norte de que solicitou a intervenção do serviços secreto (o MI5) e das Forças Armadas britânicas para enfrentar a crescente ameaça de facções dissidentes do IRA. Os dissidentes se opõem ao governo formado na Irlanda do Norte em 2007, que uniu os antigos rivais: os nacionalistas - católicos que defendem a incorporação da Irlanda do Norte à vizinha República da Irlanda - e os protestantes unionistas (que defendem a União, ou o Reino Unido) e acreditam que a área deveria continuar integrando a Grã-Bretanha.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.