Realeza exilada poderá voltar para a Itália

O Senado italiano votou nesta terça-feira a favor de colocar um fim a 56 anos de exílio da realeza, no primeiro passo de um longo processo que poderia culminar com a autorização aos herdeiros masculinos do último rei da Itália para retornarem a sua pátria.Na primeira de uma série de votações parlamentares, o Senado aprovou uma emenda constitucional por 235 a 19 votos, com 15 abstenções. A Constituição italiana do pós-guerra proíbe os herdeiros masculinos da Casa de Sabóia de regressarem à terra, como castigo ao apoio dado pela monarquia ao ditador fascista Benito Mussollini na primeira metade do século XX."A República não tem nada a temer se os membros da família Sabóia regressarem a nosso país", disse Maximo Bruti, da Democracia de Esquerda, ao anunciar o apoio do partido à medida. No fim de semana, os herdeiros do último rei da Itália juraram lealdade "à Constituição de nossa República e a nosso presidente".O comunicado de Victor Emmanuel, de 64 anos, e de seu filho Emmanuel Filiberto, de 29, dizia que eles renunciavam a reclamar o trono. Tal posição levou vários políticos de centro-esquerda, que sempre se mostraram avessos à idéia de aceitar um regresso dos Sabóia, a mudarem de opinião.A posição do primeiro-ministro Silvio Berlusconi e de seu partido é a de acabar com o castigo imposto aos Sabóia em 1946. Berlusconi disse que o exílio dos Sabóia já havia durado "demais" e que era "absolutamente correto" permitir seu regresso. Apenas três pequenos partidos políticos são contra o retorno: os Verdes e dois partidos nascidos do Partido Comunista.Para ser referendada, a emenda constitucional precisa ainda da aprovação da Câmara dos Deputados, além de uma aprovação mútua após a primeira votação. O processo poderá durar vários meses. Se a emenda for aprovada por menos de dois terços em qualquer das duas Câmaras, poderia haver um referendo sobre o tema. Victor Emmanuel tinha 9 anos quando foi para o exílio com seu pai, o rei Umberto II. Seu filho, um banqueiro, nasceu e cresceu na Suíça e jamais esteve na Itália.

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