REUTERS/Gary Cameron
REUTERS/Gary Cameron

Reaproximação com Cuba melhorou relações dos EUA com região, diz Kerry

Ao ser pressionado pela oposição na Câmara dos Deputados, o secretário de Estado americano defendeu política do governo Obama para a ilha

O Estado de S. Paulo

24 de fevereiro de 2016 | 16h25

WASHINGTON - Ao ser pressionado pela oposição na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, 24, o secretário de Estado americano, John Kerry, defendeu a política de reaproximação com Cuba do governo Barack Obama dizendo que ela ajudou nas relações dos EUA com a região. 

Ao falar para a Comissão de Orçamento da Câmara, Kerry foi questionado pelo congressista republicano de origem cubana Mario Díaz-Balart para que citasse avanços concretos nos direitos humanos em Cuba, afirmando que esse deveria ser um requisito prévio para uma visita de Obama à ilha. O presidente deverá visitar Cuba nos dias 21 e 22 de março. 

Díaz-Balart lembrou que, em uma entrevista ao site Yahoo! em dezembro, Obama disse que não faria sentido visitar Cuba se esse país anda "para trás" nas liberdades para o povo cubano. "E sob qualquer medida objetiva, o regime dos Castro não melhorou seu histórico de direitos humanos. Em todo caso, piorou ", ressaltou o congressista pela Flórida.

Kerry rebateu que o governo cubano "sim melhorou, no sentido de que libertou os 53 prisioneiros que os Estados Unidos solicitaram", e reiterou que acredita que os cinco que voltaram a ser detidos serão "libertados", além de lembrar que "um em cada quatro cubanos está no setor privado".

A dissidente Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional denunciou em janeiro que cinco ex-prisioneiros políticos que foram liberados como parte do acordo anunciado em dezembro de 2014 entre Cuba e os EUA para restabelecer as relações foram novamente colocados na prisão. 

Segundo a comissão, Vladimir Morera Bacallao, Wilfredo Parada Milián, Jorge Ramírez Calderón, Carlos Manuel Figueroa e Aracelio Ribeaux Noa foram presos mediante processos "falsos e sem as devidas garantias processuais". 

Em um diálogo tenso, Díaz Balart disse a Kerry que não ele não estava dando "dados" nem "garantias" sobre as melhoras em Cuba, e o secretário de Estado respondeu que o congressista não queria "aceitar" as respostas que ouvia.

Perguntado em outro momento pela resposta na América Latina à abertura dos EUA para Cuba, Kerry disse que foi "incrível". "(O degelo) mudou nossa relação com outros países na região, e mudou a relação com Cuba e inclusive com a Venezuela", disse o secretário de Estado.

"Há um diálogo que está tomando forma na Venezuela e no qual pode ser que tomemos parte, e a credibilidade que conseguimos para isso vem em parte da abertura à Cuba", acrescentou. 

Kerry anunciou na terça-feira ter planos de viajar a Cuba "em uma semana ou duas" para ter um diálogo sobre direitos humanos antes da visita do presidente Obama à ilha. A informação foi dada por Kerry durante uma audiência da Comissão de Relações Exteriores do Senado. 

A visita histórica de Obama, que deverá se encontrar com o presidente Raúl Castro, deverá selar assim a reaproximação entre Washington e Havana depois de mais de meio século de ruptura, isolamento e desconfiança. 

Kerry já esteve na capital cubana em agosto para uma cerimônia de reabertura da embaixada americana após quase um ano de conversações secretas e negociações públicas. Ao falar para os senadores americanos, Kerry lembrou que o próprio Obama demonstrou sua convicção de que todos os problemas das relações bilaterais se acumularam nos últimos 50 anos não se resolverão da noite para o dia. 

Segundo o secretário de Estado, Obama pretende impulsionar a agenda de diálogo com os cubanos sobre o futuro e claramente está ansioso por pressionar pelos direitos de manifestação" do povo cubano. / AFP e EFE  

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