Efe
Efe

Reatores apresentam novos problemas

Vazamentos levam à suspensão do trabalho de resfriamento; AIEA detecta radiação 1.600 vezes superior ao normal a 20km de Fukushima

Cláudia Trevisan, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2011 | 00h00

ENVIADA ESPECIAL / OSAKA, JAPÃO

A tentativa de restabelecer o sistema de resfriamento na usina atômica de Fukushima-Daiichi foi suspensa ontem depois que nuvens de fumaça começaram a sair de dois reatores, em um revés do progresso obtido no fim de semana no esforço para conter a ameaça de vazamento nuclear no Japão.

Na manhã de hoje ( horário local) a agência de notícias Kyodo News disse que níveis de radiação 1.600 vezes superiores ao normal foram detectados pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) a cerca de 20 km da usina.

Às 3h55 de ontem, fumaça acinzentada começou a sair do reator n.º 3, o que levou à retirada de trabalhadores do local. Aparentemente, a origem era a piscina na qual estão armazenadas hastes de combustível usado, mas não houve nenhuma explosão.

O vazamento parou às 6 horas, mas às 6h20 o reator n.º 2 começou a soltar fumaça esbranquiçada, a partir de uma fresta aberta no telhado da construção que o abriga. A Agência de Segurança Nuclear do Japão disse que ainda não havia sido possível determinar o que provocou a emissão de fumaça e os trabalhos de religamento da planta seriam interrompidos por um dia.

O Corpo de Bombeiros de Tóquio parou de jogar água nos reatores, até que a segurança do local seja verificada. A operação poderá ser retomada hoje, dependendo da situação da usina.

Com seis reatores, Fukushima entrou em colapso depois do terremoto seguido de tsunami que atingiu a costa nordeste do Japão no dia 11. O duplo desastre interrompeu o fornecimento de energia e comprometeu o gerador de segurança que deveria ter entrado em ação.

A falta de eletricidade levou à interrupção do bombeamento de água responsável pelo resfriamento das hastes de combustível que ficam dentro dos reatores e das que estão nas piscinas de combustível usado. O resultado foi o aumento da temperatura e o derretimento parcial dos reatores, o que trouxe risco de vazamento de radioatividade em grande escala.

A temperatura dos reatores caiu no domingo a menos de 100ºC e os engenheiros conseguiram conectar fios de eletricidade a três dos seis reatores, mas os incidentes de ontem mostram que a situação continua instável.

"Nossa crise continua. Estamos fazendo tudo o que podemos para que ela chegue ao fim", disse ontem o governador de Fukushima, Yujei Sato, segundo relato da Associated Press. Sato falava a um grupo de mil pessoas que tiveram de abandonar suas casas no raio de 20 km ao redor da usina e foram abrigadas em um ginásio de esportes. Ontem, o Ministério da Saúde revelou que nível de radiação três vezes acima do normal detectado na água encanada de Iitate, uma vila de 6 mil habitantes a 30 km da usina. A população foi aconselhada a não beber água da torneira _hábito normalmente seguro no Japão.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.