Rebekah Brooks, ex-editora do 'News of the World', é presa em Londres

A ex-presidente-executiva do grupo 'News International', de Rupert Murdoch, é suspeita de corrupção e de conspirar para interceptar comunicações.

BBC Brasil, BBC

17 de julho de 2011 | 10h06

A ex-editora do tabloide News of the World Rebekah Brooks foi presa neste domingo, em Londres.

Brooks deixou a posição de presidente-executiva do grupo News International, pertencente a Rupert Murdoch, na última sexta-feira após enfrentar pressão devido a seu suposto envolvimento com o escândalo de grampos telefônicos e compra de informações de policiais.

A informação sobre a prisão de Rebekah Brooks foi confirmada pelo correspondente de negócios da BBC Robert Peston.

A polícia de Londres havia divulgado apenas que uma mulher de 43 anos foi detida, suspeita de envolvimento em corrupção e em conspiração para interceptar comunicações.

Ela é a décima pessoa a ser presa durante as investigações do escândalo envolvendo o jornal News of the World, que teve sua última edição publicada uma semana atrás.

Especulação

A prisão de Brooks levantou especulações de que seu pedido de demissão teria sido uma medida calculada para tentar minimizar os efeitos do escândalo para o império de mídia de Murdoch, mas fontes do grupo News International disseram a Robert Peston que a empresa não tinha nenhuma indicação de que ela seria presa quando as conversas sobre sua demissão começaram, na semana passada.

Brooks foi editora do tabloide News of the World entre 2000 e 2003, época em que o jornal teria usado grampos telefônicos ilegais para conseguir notícias exclusivas, e era funcionária do grupo havia 22 anos.

No sábado, Rupert Murdoch pediu desculpas em anúncios publicados neste sábado em jornais britânicos pelos "graves erros" cometidos pelo tabloide News of the World e disse sentir muito por não ter agido mais rapidamente para "resolver as coisas".

"Eu entendo que simplesmente pedir desculpas não é suficiente. Nosso negócio foi baseado na ideia de que uma imprensa livre e aberta deveria ser uma força positiva na sociedade. Nós temos de cumprir essas expectativas."

"Nos próximos dias, quando tomarmos novas medidas concretas para resolver essas questões e consertar os danos que elas causaram, vocês ouvirão mais notícias de nossa parte", diz a declaração, assinada "Atenciosamente, Rupert Murdoch".

Demissões

Na sexta-feira, após Rebekah Brooks deixar seu cargo, outro alto-executivo do grupo News Corporation (que controla o News International), o angloamericano Les Hinton, anunciou estar deixando a empresa.

Hinton chefiou o grupo News International de 1995 a 2007 e trabalhou com Rupert Murdoch por mais de 50 anos.

Ambos os executivos alegam que não sabiam dos métodos utilizados por repórteres para conseguir informações na época, mas disseram acreditar que o pedido de demissão era a coisa certa a fazer neste momento.

Brooks deveria comparecer junto a Rupert Murdoch e seu filho, James Murdoch, perante um comitê do Parlamento britânico, na próxima terça-feira, para responder perguntas de parlamentares a respeito do escândalo.

Investigações indicam que até 4 mil pessoas podem ter sido grampeadas, entre políticos, membros da realeza, esportistas, celebridades e familiares de militares mortos na guerra do Afeganistão.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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