'Rebelde canibal' diz que aceita ser julgado na Síria se Assad também for

Em novo vídeo, conhecido por morder coração tirado de um inimigo esclarece que era um pulmão

O Estado de S. Paulo,

17 de maio de 2013 | 18h47

BEIRUTE - Abu Sakkar, o comandante rebelde sírio que ganhou notoriedade internacional pelas imagens em que arranca e come o pulmão de um soldado morto, disse estar disposto a enfrentar um julgamento por suas ações, caso o presidente Bashar Assad também seja enviado ao tribunal.

Um vídeo (veja abaixo) divulgado nesta sexta-feira, 17, mostra o comandante rebelde da Província de Homs rezando em um campo e respondendo a perguntas de um cinegrafista. "Estou pronto para ser responsabilizado pelos meus atos, desde que Assad e seus milicianos sejam julgados por crimes que cometeram contra nossas mulheres e crianças", disse o insurgente. "Eu enviei essa mensagem ao mundo: se o derramamento de sangue na Síria não parar, cada sírio vai se tornar um Abu Sakkar."

Um vídeo de Sakkar, um dos fundadores da Brigada Omar al-Farouq, em Homs, tornou-se viral no início da semana. As imagens mostram o rebelde cortando o torso de um soldado morto e mordendo seu pulmão.

O vídeo provocou indignação de partidários de Assad, ONGs de defesa dos direitos humanos e de figuras da oposição. "A mutilação de corpos de inimigos é um crime de guerra. Mas, uma questão ainda mais séria, é o agravamento da retórica sectária e da violência", disse Peter Bouckaert, da Human Rights Watch.

Na quarta-feira, o Exército Sírio Livre (ESL) prometeu punir s atrocidades cometidas por seus homens e garante que está investigando o caso. "Todos os atos contrários aos valores pelos quais o povo sírio está pagando com seu sangue e perdendo suas casas não serão tolerados. O culpado será punido com rigor", disse o ESL, em comunicado.

No entanto, muitos insurgentes reclamam que o vídeo provocou uma indignação maior do que outros vídeos igualmente horríveis de rebeldes e ativistas sendo torturados até a morte pela ditadura.

Questionado sobre as razões de ter mutilado o corpo do soldado, Sakkar disse que o telefone celular do homem continha vídeos dele próprio estuprando mulheres, queimando corpos e arrancando órgãos de reféns. "Nenhum sírio livre consegue se controlar ao assistir a essas atrocidades", disse o rebelde. / REUTERS e AP

 
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