Rebelde congolês ameaça com golpe

Ex-chefe do Exército diz que derrubará presidente caso negociações para pacificar o país fracassem

Scott Baldauf, O Estadao de S.Paulo

10 de janeiro de 2009 | 00h00

O general Laurent Nkunda é cheio de contradições. Foi ordenado pastor pela Igreja Adventista e leva à corte marcial os soldados que participam de estupros. Ainda assim, o chefe de seu Estado-Maior é um criminoso de guerra procurado.Tudo o que Nkunda diz que quer fazer é conversar. Mas se o governo da República Democrática do Congo (RDC) se recusar, ele ameaça ampliar a guerra e derrubar o presidente Joseph Kabila. Ele dará as boas-vindas a forças africanas de manutenção da paz caso estas venham como grupo neutro numa missão humanitária, mas se combaterem com o Exército congolês (FARDC), ele promete enfrentá-los."Se eles entrarem no país e se juntarem ao FARDC compartilharão da vergonha do governo congolês", disse Nkunda à agência de notícias Reuters durante entrevista pelo telefone. Nkunda está longe de ser o único senhor da guerra, e defensores dos direitos humanos dizem que o Exército da RDC e outros grupos armados cometeram tantas atrocidades contra civis quanto os homens de Nkunda.Pouca coisa no passado de Nkunda sugere que aprecie de fato provocar sofrimento. Ex-professor escolar na cidade de Kichanga - onde hoje está localizado seu quartel-general - e um devoto pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia, ele é admirado entre seu grupo étnico, os tutsis."Ainda assim, detecta-se um padrão de crueldade entre os soldados sob seu comando", diz Anneke van Woudenberg, uma das principais analistas da organização Human Rights Watch, em Londres.Em 2002, quando Nkunda era um dos principais comandantes do Congresso pela Democracia no Congo - uma milícia agora extinta que era apoiada por Ruanda -, ele supervisionou a brutal resposta a um motim entre seus soldados na cidade de Kisangani, localizada no centro do país. Mais de 150 amotinados foram reunidos, decapitados e tiveram seus corpos jogados no Rio Congo, afirma a Human Rights Watch. "Não podemos imaginar que Nkunda seja um líder rebelde legítimo e completamente livre de sangue em suas mãos", advertiu Anneke.

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