Rebelde se apresenta, mas lança ultimato a Chávez

O coronel da Força Aérea Pedro Soto, que na semana passada se declarou em rebeldia contra o presidente venezuelano, Hugo Chávez, manteve nesta terça-feira seu desafio ao governo, lançando um "ultimato" a Chávez.Numa carta lida durante a entrevista coletiva que concedeu nesta terça, um dia depois de apresentar-se ao comando de sua arma, Soto exortou o presidente a "deixar de instigar a guerra, a violência e a luta de classes" na Venezuela até 19 de abril, data nacional do país. Ele apresentou também sete reivindicações, que vão desde o resgate da sede da Força Aérea - onde funciona hoje o Ministério da Defesa - até até o fim da exigência de que militares usem farda em atos oficiais.Soto, ao lado de outro militar da ativa insurgente, o capitão da Guarda Nacional Pedro Flores, terá seu futuro decidido por um Conselho de Investigação que, de acordo com o ministro da Defesa, José Vicente Rangel, será instalado na próxima sexta-feira.MordaçaO coronel acusou as autoridades militares do país de estarem tentando "amordaçá-lo", para que não expresse sua opinião. Mas, apesar de reiterar que fala por "75% dos oficiais e suboficiais das Forças Armadas", negou que esteja ameaçando o governo com um golpe. "Esse ultimato foi lançado porque não podemos esperar mais. Não estou ameaçando ninguém. Esperemos até 19 de abril, e o povo da Venezuela vai decidir o que ocorrerá."Chávez desqualificou as críticas de Soto e subestimou sua capacidade para liderar uma rebelião militar. "Já participei de uma rebelião militar e sei que isso não se faz com mil manifestantes nas ruas", declarou.Pressão dos EUAAlém dos problemas internos, Chávez enfrenta também o risco de isolamento internacional. Nesta quarta-feira, ele se reúne com membros do corpo diplomático do país em Washington para analisar as ácidas críticas feitas na semana passada por funcionários americanos.As críticas mais pesadas partiram do secretário de Estado americano, Colin Powell, e do diretor da CIA, George Tenet, que manifestaram preocupação com o futuro das liberdades democráticas na Venezuela e criticaram as recentes visitas de Chávez a Cuba, Iraque, Irã e Líbia - considerados "países párias" por Washington.

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