Rebeldes acusam Exército do Sri Lanka por morte de mil civis

Governo nega acusações; ofensiva em área controlada pelos Tigres Tâmeis provocou fugas em massa.

BBC Brasil, BBC

21 de abril de 2009 | 09h48

O Exército de Libertação dos Tigres do Tâmil Eelam, grupo rebelde separatista conhecido como Tigres Tâmeis, acusou o governo do Sri Lanka de provocar um massacre de civis na ofensiva militar que está sendo realizada no norte do país.

O governo nega as acusações e acusa os rebeldes de estar atacando civis. De acordo com informações do governo, quase 50 mil civis haviam deixado a área controlada pelos Tigres Tâmeis desde segunda-feira.

A ONU estima que outros 100 mil permanecem na área, uma pequena faixa de apenas 20 km .

A imprensa estrangeira não tem acesso à região para verificar as acusações. Muitos refugiados estão sendo abrigados em campos intermediários controlados pelo governo, sem acesso a jornalistas.

Ofensiva

A ofensiva militar contra os rebeldes tâmeis se intensificou nas últimas semanas, e analistas dizem que o governo pode estar perto de infligir uma derrota sem precedentes aos Tigres Tâmeis, que iniciaram a luta armada pela criação de um Estado tâmil no Sri Lanka no início dos anos 70.

As forças do governo afirmam ter avançado no território dominadopelos rebeldes e que já estariam controlando um terço da área.

O governo chegou a anunciar um prazo para que os rebeldes se rendessem, ameaçando com um ataque final no caso de uma resposta negativa.

O prazo para rendição expirou ao meio-dia, hora local (3h30 nohorário de Brasília), segundo o governo, sem resposta dos Tigres Tâmeis.

"O Exércitode Libertação dos Tigres do Tâmil Eelam não respondeu ao pedido dogoverno para que se rendesse, então, estamos mantendo a ofensiva pararesgatar os civis", disse o porta-voz do Exército, o brigadeiro UdayNanayakkara.

Bombardeios

A BBC conversou por telefone com um porta-voz dos rebeldes, que se identificou comoThileepan. Ao fundo se ouvia o barulhode explosões.

Segundo ele, bombardeios do Exército atingiram umhospital, um orfanato e muitas casas, além de causar a morte de um altonúmero de civis.

Ele afirmou que as pessoas têm que se esconder embaixo de troncos e árvores, usando abrigos improvisados para se proteger.

Oexército do Sri Lanka nega atacar civis na área controlada pelosrebeldes. O brigadeiro Nanayakkara disse à BBC que só foram usadasarmas de pequeno porte.

Segundo ele, os Tigres Tâmeis estariamatacando os civis porque sabem que se eles deixarem a região, osrebeldes se tornarão um alvo fácil.

Segundo o Exército, já houve três atentados suicidas contra civis deixando a região, causando a morte de 17 pessoas.

Um homem que acabou de deixar a zona de conflito disse que os rebeldes tentam atirar contra qualquer um que planeje escapar.

Osjornais locais estão cobertos com fotos do grande número de pessoasdeixando o território rebelde. Um deles afirma que se trata de uma"avalanche humana".

As pessoas fugiram depois que as tropas doExército ultrapassaram uma barreira que vinha bloqueando seu avanço noúltimo reduto dos Tigres Tâmeis, afirmaram os militares nasegunda-feira. Imagens aéreas mostraram milhares de civis fugindo dazona de combate.

Na segunda-feira, manifestantes da comunidadetâmil em Londres e Paris protestaram contra a ação do Exército. Cercade 180 pessoas foram presas na capital francesa, onde os protestos setornaram violentos.

O ministro da Defesa do Sri Lanka disse nestaterça-feira que as tropas agora estão avançando no que era antesdesignado pelo governo como zona segura.

Autonomia

Estima-se que a guerra no Sri Lanka tenha causado a morte de 70 mil pessoas.

Os combates se intensificaram a partir de 2005, quando o presidente Mahinda Rajapaksa assumiu o poder descartando autonomia para os tâmeis no norte e no leste do país.

No início de 2008, o governo abandonou formalmente um cessar-fogo de seis anos, que havia sido mediado pela Noruega. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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