Umit Bektas/Reuters
Umit Bektas/Reuters

Rebeldes ameaçam atacar regime sírio em 48 horas se violência continuar

Advertência coincide com fim de prazo dado pelo enviado especial da ONU, Kofi Annan, às autoridades para retirada das tropas das cidades

Com Efe e AP,

10 de abril de 2012 | 11h33

O rebelde Exército Livre Sírio (ELS) ameaçou nesta terça-feira, 10, "atacar o regime sírio em 48 horas de uma forma como nunca fizemos antes", se as forças de Damasco não deterem imediatamente as hostilidades, segundo o porta-voz do grupo, coronel Qasem Saadedin.

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A advertência dos rebeldes coincide com o fim do prazo dado pelo enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, às autoridades sírias para a retirada de suas tropas das cidades.

O grupo afirmou também que mil pessoas foram mortas por forças do governo nos últimos oito dias. Segundo Bassma Kodmani, porta-voz do grupo,  somente na segunda-feira, 9, 160 pessoas forma mortas no país. Ela disse aos jornalistas em Genebra, nesta terça-feira, 10, que as forças do regime têm usado armamento pesado contra civis, contrariando o acordo de cessar-fogo que teria início nesta terça-feira. Kodmani afirmou que a situação humanitária em território sírio está "se deteriorando dramaticamente".

Descumprimento de acordo

Pelo acordo de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), liderado por Kofi Annan, tanto o governo quanto os rebeldes que tentam derrubar o regime de Bashar Assad deveriam abandonar as áreas estratégicas, depor armas e iniciar um cessar-fogo entre hoje e quinta-feira. Ativistas, no entanto, afirmam que não há sinais de recuo em larga escala por parte das forças sírias, ao contrário do que afirma Damasco.

Na França, o porta-voz do Ministro de Relações Exteriores, Bernard Valero, classificou a alegação de que o governo sírio está cumprindo o acordo de Annan como "uma nova expressão desta flagrante e inaceitável mentira".

Até mesmo a Rússia, tradicional aliada e fornecedora de armas da Síria, fez críticas ao regime sírio. "Nós acreditamos que seus esforços em implementar o plano poderiam ter sido mais ativos e decididos", disse o ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov.

De acordo com o Observatório Sírio para Direitos Humanos, pelo menos 11 pessoas, incluindo sete civis, foram mortas hoje em ataques lançados pelas tropas de Assad.

A revolta na Síria começou basicamente com protestos pacíficos contra o regime de Assad, cuja família controla o país há quatro décadas. Com a forte repressão aos protestos, no entanto, a oposição síria está se tornando cada vez mais militarizada.

A ONU estima que a onda de violência na Síria matou cerca de 9 mil pessoas no país desde o início do levante, em março de 2011.

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