Rebeldes ameaçam começar a matar reféns em Moscou

Os rebeldes chechenos que mantêm centenas de pessoas em um teatro de Moscou ameaçaram começar a executar seus reféns no final da tarde deste sábado caso o governo russo não atenda às exigências da guerrilha - de desocupar a Chechênia -, segundo o porta-voz do Serviço Federal de Segurança, Sergei Ignatchenko. Horas antes, o diretor do Serviço de Segurança, Nikolai Patrushev, disse que as vidas dos seqüestradores seriam poupadas se libertassem todos os reféns.Ainda não está claro se as ameaças dos rebeldes chechenos têm relação com a declaração de Patrushev. A porta-voz do teatro, Daria Morganova, disse que foi informada da ameaça por um dos atores que está sendo mantido refém. A guerrilha ocupou o teatro na noite de quarta-feira para pressionar o governo russo a retirar suas tropas da Chechênia. Entre 600 e 800 pessoas ainda são mantidas como reféns no interior do teatro.Ainda hoje, após três horas de negociações, os guerrilheiros chechenos aceitaram comida e bebida para os reféns. O diálogo foi mediado por um médico, dirigente da Proteção Civil Russa, e uma jornalista da revista Novaia Gazeta, que luta há tempos pela desocupação russa. Os rebeldes não deixaram, no entanto, que os responsáveis pelos alimentos entrassem no teatro. A jornalista está carregando sozinha as caixas. Eles permitiram que um refém seja retirado do teatro, pois está com crise de apendicite.No terceiro dia de impasse, os guerrilheiros disseram que ainda estão dispostos a morrer - e a matar todos os reféns - caso as exigências não sejam atendidas. Desde o começo da madrugada desta sexta-feira, os rebeldes libertaram 15 pessoas, sendo oito crianças. Eles haviam dito que libertariam os cerca de 75 estrangeiros, mas as negociações foram interrompidas e a promessa ainda não foi cumprida. No começo da madrugada, os rebeldes chechenos libertaram sete pessoas, homens e mulheres, todos cidadãos russos, segundo Ignatchenko. Outros 39 reféns já tinham sido libertados anteriormente. Na madrugada de quinta-feira, uma mulher de 20 anos foi assassinada. As crianças libertadas hoje, entre 7 e 13 anos de idade, pareciam estar em bom estado de saúde e deixaram o teatro acompanhadas de funcionários da Cruz Vermelha.No interior do teatro há norte-americanos, britânicos, holandeses, australianos, austríacos e alemães. As embaixadas desses países solicitaram permissão para enviar representantes ao local para receber os reféns que eventualmente sejam libertados.

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