Rebeldes ameaçam invadir duas cidades cristãs

Rebeldes sírios ameaçaram invadir duas cidades predominantemente cristãs da região central do país, caso os residentes não "expulsem" tropas do governo que, segundo eles, usam os locais como base para atacar áreas próximas.

EQUIPE AE, Agência Estado

22 de dezembro de 2012 | 17h34

Um vídeo divulgado pelos rebeldes mostra Rashid Abul-Fidaa, que se identifica como o comandante da Brigada Ansar na província de Hama, pedindo aos moradores locais de Mahrada e Sqailbiyeh que se levantem contra as forças do presidente Bashar Assad ou se preparem para ser alvo de um ataque.

"As gangues de Assad nessas cidades estão atacando nossas vilas com morteiros e foguetes, destruindo nossas casas, matando nossas crianças e dispersando nosso povo", diz Abdul-Fidaa, que no vídeo usa um lenço islâmico na cabeça e é cercado por homens armados . "Vocês devem cumprir sua obrigação de expulsar as gangues de Assad", diz ele. "Caso contrário, nossos guerreiros vão invadir os esconderijos das gangues de Assad."

Abdul-Fidaa acusa as forças do regime de tomarem posições nas cidades com o objetivo de "incitar a discórdia sectária" entre cristãos e a oposição, predominantemente sunita. Assad pertence à minoria alawita, um braço do xiismo.

A ameaça é feita apenas dois dias depois de um grupo da Organização das Nações Unidas (ONU), que investiga abusos aos direitos humanos na Síria, ter acusado militantes contrários a Assad de se esconder no meio da população civil, o que resulta em ataques da artilharia e da força aérea do governo.

O Observatório Sírio pelos Direitos Humanos, grupo ativista sediado em Londres, que relatou o ultimato rebelde neste sábado, disse que o ataque dos rebeldes pode obrigar milhares de cristãos a deixar suas casas.

Rússia

O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse neste sábado acreditar que as potências ocidentais não desejam intervir no conflito sírio. "Eu sinto que ninguém tem apetite para intervenção externa", afirmou a jornalistas que também retornavam para Moscou após uma cúpula em Bruxelas, de acordo com a agência russa ITAR-TASS.

"Também tenho a sensação de que eles estão rezando para a Rússia e a China continuem impedindo uma intervenção. Porque se houver tal decisão, eles terão que agir e ninguém está pronto", acrescentou Lavrov.

O ministro afirmou também que o regime sírio ainda detém o controle dos estoques de armas químicas em vários pontos do país. "Até agora, segundo informações que obtivemos - que tem relação com dados ocidentais - as armas estão sob controle", afirmou. "As autoridades sírias esconderam esses estoques em um ou dois centros. Anteriormente, eles estavam espalhados pelo país."

Ele ainda reiterou a oposição da Rússia a qualquer intervenção na Síria, citando as resoluções do Conselho de Segurança da ONU que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) usou para justificar os ataques militares na Líbia.

"Estamos convencidos de que o Conselho de Segurança da ONU não deve tomar decisões ambíguas, depois que nossos parceiros agiram de modo tão abominável na Líbia", disse o ministro. Ao lado da China, a Rússia continua sendo um dos poucos aliados do regime sírio, blindando o presidente Bashar Assad das sanções destinadas a puni-lo pelo uso de força pesada contra a resistência armada.

A posição de Moscou frustrou as tentativas do Ocidente de encerrar o derramamento de sangue que já dura 21 meses. O governo russo também é acusado de manter laços militares com Damasco, que foi um tradicional parceiro na era soviética. As informações são da Associates Press e da Dow Jones.

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