Rebeldes anti-Assad tentam formar governo no exílio

Aliança de grupos que combatem as forças do ditador sírio deve passar a atuar sob o comando de um gabinete rebelde

ISTAMBUL, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2013 | 02h15

O líder da principal força rebelde síria deu ontem seu apoio à formação de um governo provisório para administrar áreas controladas pelos insurgentes. O general Salim Idris disse a jornalistas que os combatentes do Exército Sírio Livre (ESL), o principal grupo rebelde, passarão a atuar sob o comando de um governo provisório e assumirão a responsabilidade de proteger seus membros.

"Reconhecemos a coalizão (de grupos rebeldes) como nosso escudo político e esperamos que este governo consiga ser formado por vontade unânime e exerça seus poderes em toda a Síria", afirmou Idris, chefe de gabinete do ESL. "Nós o consideramos o único governo legal no país."

Os comentários de Idris foram feitos para dar mais impulso à iniciativa da Coalizão Nacional Síria de escolher um primeiro-ministro que chefiará esse governo provisório. A coalizão fracassou duas vezes na sua tentativa de formar um governo, mas, segundo seus membros, parece que agora existe mais consenso no sentido de que a medida é necessária.

A reunião dos 73 membros da coalizão em Istambul deverá eleger o primeiro-ministro provisório entre 12 candidatos.

Idris também procurou retratar seu grupo como a formação rebelde mais organizada e poderosa na Síria. Mas não se sabe ao certo quantas das centenas de brigadas rebeldes que combatem as forças de Bashar Assad obedecem a seu comando ou estão ligadas a seu grupo.

Alguns dos grupos rebeldes mais eficiente são formados por extremistas islâmicos que desenvolveram as próprias redes de apoio.

Um deles, o Jabhat al-Nusra, é considerado terrorista pelos Estados Unidos e estaria ligado à rede Al-Qaeda.

Idris afirmou que o seu grupo não tem relação com o Jabhat al-Nusra.

Ele retomou seu apelo às potências mundiais para armarem os combatentes rebeldes, dizendo que seu grupo garantirá que as armas não caiam em mãos erradas - esta é a principal preocupação dos EUA e de outras potências, especialmente em razão de a Síria fazer fronteira com Israel. "Temos poder e capacidade organizacional para controlar a movimentação dessas armas e mantê-las em mãos seguras e de confiança", disse ele.

Na semana passada, Grã-Bretanha e França pediram à União Europeia que suspenda uma proibição para armar os rebeldes sírios, mas um dos membros da UE se opôs e não houve decisão a respeito.

Os Estados Unidos relutam em enviar armas, temendo que acabem nas mãos de extremistas, mas o secretário americano de Estado, John Kerry, disse no domingo que o governo não pretende desencorajar quem o fizer. "Os Estados Unidos não impedirão outros países que decidirem enviar armas aos rebeldes, seja França, Grã-Bretanha, ou outros", declarou.

Segundo ele, quanto mais a violência avança, maior é o perigo de as suas instituições desmoronarem e os extremistas se apropriarem de armas químicas.

Idris, por seu lado, sugeriu outras formas de uma possível ajuda militar, dizendo que para seu grupo seriam bem-vindas forças internacionais ou libanesas ao longo da fronteira com a Síria com o Líbano. Ele pediu também que as unidades rebeldes sejam treinadas para assumir o controle do arsenal de armas químicas. "As armas químicas na Síria não estão em segurança", disse ele, alertando que elas podem ser usadas contra os rebeldes ou fornecidas para "grupos renegados" como o Hezbollah. / AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.