AFP PHOTO / Nazeer al-Khatib
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Rebeldes apoiados pela Turquia retomam cidade simbólica do Estado Islâmico

Dabiq - que dá nome à revista de propaganda jihadista do grupo - seria palco da batalha decisiva contra ‘infiéis’, segundo profecia; desde 2015, EI perdeu cerca de 24% do território que controlava na Síria e no Iraque

O Estado de S. Paulo

16 Outubro 2016 | 20h24

DAMASCO - Os rebeldes sírios apoiados pelas forças da Turquia tomaram neste domingo, 16, o controle da cidade de Dabiq, na Província de Alepo, no norte da Síria, que estava em poder do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) e é considera um símbolo religioso para os jihadistas.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), grupo de oposição ao regime de Bashar Assad que monitora o conflito em Londres, detalhou que os rebeldes e seus aliados turcos recuperaram o domínio de Dabiq menos de 24 horas depois do início da ofensiva, na qual obrigaram os jihadistas a deixarem a cidade.

Além disso, o OSDH disse que a retirada dos combatentes do EI aconteceu pouco depois que os extremistas também abandonaram as localidades de Sauran e Ehtimilat, situadas no nordeste da Província de Alepo. Os jihadistas começaram a deixar Dabiq ainda na noite de sábado e se transferiram para outras áreas sob seu controle.

Além disso, os rebeldes sírios tomaram também a aldeia de Hur al-Nahr, próxima da cidade de Marea, e conseguiram pôr fim ao cerco do EI. A agência de notícias turca Anatólia confirmou que as milícias rebeldes sírias, reunidas sob a sigla do Exército Livre da Síria (ELS) e apoiadas pela Turquia, tomaram Dabiq e expulsaram os jihadistas do EI. 

A Anatólia, que cita como fontes dirigentes do ELS, afirmou que as forças rebeldes tomaram as localidades de Dabiq e Sauran. Ainda segundo a agência turca, 9 rebeldes foram mortos e outros 28 feridos em Dabiq.

Apoio turco. Um porta-voz do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, comemorou na noite de domingo a “vitória estratégica e simbólica” que representa a retomada de Dabiq. 

“Estrategicamente, é importante que o ELS, com apoio dos militares turcos, continuem avançando em direção a Al-Bab, território ainda controlado pelos terroristas”, afirmou Ibrahim Kalin. “A operação Escudo de Eufrates continuará até que tenhamos nos convencido que a região está completamente segura, que os ataques terroristas contra cidadãos turcos estão fora de cogitação e as pessoas da síria se sintam seguras.”

Dabiq fica a aproximadamente 15 quilômetros da fronteira turca e foi conquistada pelo EI em agosto de 2014. A cidade serviu de cenário para alguns vídeos do grupo e também dá nome à revista de propaganda publicada mensalmente em inglês pelo grupo na internet.

A organização terrorista acredita em uma profecia atribuída a Maomé, segundo a qual a “grande batalha” entre os muçulmanos e os “infiéis” ocorrerá em Dabiq e o dia do Juízo Final chegará com a vitória dos que seguem o profeta.

Reveses. O território controlado pelo EI tem reduzido com as recentes ações dos rebeldes sírios contra o grupo extremista. O chamado “califado”, que se estendia no território da Síria e do Iraque por cerca de 90 mil quilômetros quadrados, no começo de 2015, atualmente se limita a cerca de 68 mil quilômetros quadrados, segundo a empresa americana IHS.

Já a Anatólia afirmou que, desde o início das operações em território sírio, em agosto, os rebeldes apoiados pela Turquia recuperaram 1.130 quilômetros quadrados de territórios que anteriormente eram controlados pelo EI ou pelos curdos. / EFE, AFP e REUTERS

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