Youssef Boudlel/ Reuters
Youssef Boudlel/ Reuters

Rebeldes assumem controle total de Trípoli e atacam cidade natal de Kadafi

Insurgentes obtiveram importante conquista, ao expulsar as forças do regime de posto na fronteira noroeste com a Tunísia

Lourival Sant’Anna e Andrei Netto, enviados especiais de O Estado de S. Paulo,

27 de agosto de 2011 | 15h46

As forças rebeldes declararam ontem ter assumido o controle total sobre Trípoli, depois de rechaçar as tropas leais a Muamar Kadafi no sul da capital. Os insurgentes obtiveram outra importante conquista, ao expulsar as forças do regime do posto de Ras Ajdir, na fronteira noroeste com a Tunísia, abrindo caminho para a entrada de suprimentos.

 

Com isso, os rebeldes se concentram na caçada a Kadafi e na tomada de Sirte, cidade natal e reduto do ditador, 450 quilômetros a leste de Trípoli. Ontem, o Estado testemunhou novos indícios de massacres e crimes de guerra. Corpos de mais de 150 dissidentes do regime líbios, a maioria carbonizados, foram encontrados na periferia de Trípoli.

 

Os mortos estavam em dois galpões e em ruas adjacentes na região de Khilit al-Ferjan, onde ficava a maior base militar do governo. Segundo testemunhos de sobreviventes, eles foram alvejados com metralhadoras por oficiais e mercenários e, em seguida, queimados. O crime de Khilit al-Ferjan é mais uma das atrocidades de guerra que estão sendo descobertas - e não apenas da parte do regime de Kadafi.

 

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No front, os rebeldes continuam a avançar contra as forças do ditador. Depois de uma batalha que atravessou a noite, os insurgentes ocuparam a localidade de Qasr bin Ghashir, próximo ao aeroporto, 20 quilômetros ao sul de Trípoli. O comandante rebelde Omar al-Ghuzayl, cuja brigada controla agora a região do aeroporto, disse à Associated Press ter "expulsado completamente as forças de Kadafi de Trípoli".

 

A situação na capital é mais calma, apesar da presença de franco-atiradores. O abastecimento de água foi cortado completamente há três dias, deteriorando as condições de vida na cidade, já castigada pelo blecaute e pela precariedade das linhas telefônicas. O litro da gasolina, que antes custava US$ 0,05, saltou para US$ 5, e é difícil encontrar o combustível. As mercearias só vendem um engradado de água mineral por pessoa, para atender a todos.

 

Com Trípoli "libertada", os rebeldes investiam ontem contra a cidade natal e principal reduto de Kadafi, Sirte. Segundo o presidente do Conselho Nacional de Transição, Mahmoud Jibril, os opositores estão tentando persuadir as forçais ainda leais ao ditador a abandonar as armas.

 

O território líbio está cortado em duas partes, com tropas do regime controlando uma faixa no centro do país de cerca de 450 quilômetros, dentro da qual fica Sirte. Os rebeldes têm avançado de leste para oeste e ontem teriam chegado a 140 quilômetros da cidade natal de Kadafi.

 

Estima-se que, caso os rebeldes consigam avançar ainda mais em direção a Sirte, as forças leais a Kadafi poderiam recuar deserto adentro, buscando refúgio na cidade de Sabha.

 

Os combates concentram-se também no posto de fronteira de Ras Ajdir, vital para restabelecer o abastecimento de água, alimentos, medicamentos e combustíveis para Trípoli. As fontes de água que abastecem a capital ficam cerca de 500 quilômetros ao sul, numa área ainda controlada pelas forças de Kadafi, no Deserto do Saara. Ontem, os rebeldes já controlavam o posto de fronteira de Wazen Dhehiba, mais ao sul, a 430 quilômetros de Trípoli.

 

Os aviões da Otan continuaram bombardeando posições das forças leais a Kadafi em Sirte, onde uma grande quantidade de combatentes rebeldes se concentra. Há especulações de que o ditador pudesse ter-se escondido no local, embora ninguém saiba ao certo seu paradeiro.

 

Depois da queda de Trípoli, Sirte converteu-se na principal base de operações das forças leais a Kadafi, que na semana passada chegaram a disparar mísseis Scud a partir da cidade.

 

 

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