Rebeldes atacam base aérea estratégica no norte da Síria

Ofensiva quer reduzir poder de fogo aéreo do governo.

BBC Brasil, BBC

03 de novembro de 2012 | 11h36

Rebeldes sírios dizem ter lançado uma grande ofensiva para tomar controle sobre uma base aérea estratégica no norte do país e reduzir o poder aéreo do regime de Bashir al-Assad.

Um vídeo postado na internet mostra imagens de combatentes da oposição atacando a base de Taftanaz, localizada entre as duas maiores cidades do país, Aleppo e Damasco.

A ofensiva teve início ao amanhecer, com cinco unidades das forças rebeldes disparando diversos mísseis e morteiros, de acordo com o video.

O correspondente da BBC Jim Muir, no Líbano, afirmou que a operação parece não ser somente uma forma de atacar o aeroporto, mas de ocupá-lo.

Nos últimos meses, as forças do governo têm realizado diversos ataques aéreos contra áreas controladas pelos rebeldes, que não possuem armamento antiaéreo para impedir o bombardeios.

Há informações de que forças rebeldes teriam assumido o controle sobre as principais vias de acesso na região, a sudoeste de Aleppo.

O vídeo disse que a ofensiva foi feita por diversas brigadas do Exército Sírio de Libertação, com participação do grupo islamista radical al-Nusra.

Execução de soldados

De acordo com o correspondente da BBC, acredita-se que o al-Nusra esteja ligado às execuções de soldados do Exército sírio, capturados em Sarageb, há dois dias atrás.

Um vídeo com supostas imagens dessa execução causou protestos de grupos de defesa de direitos humanos. A suposta ação dos rebeldes, condenada amplamente pela comunidade internacional, teria ocorrido a 15 quilômetros da base aérea de Taftanaz, que está sob intenso ataque.

A ONU chegou a declarar que a filmagem pode ser uma evidência de um crime de guerra.

Na sexta-feira, os Estados Unidos declararam que "condenam violações aos direitos humanos de ambos os lados na Síria".

Reunião da oposição no Catar

A aparente brutalidade das forças rebeldes deverá ser discutida neste fim de semana em uma reunião de membros da oposição síria em Doha, no Catar, que tentará, mais uma vez, formar um comitê que represente uma liderança unificada.

A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Victoria Nuland, disse ser necessária uma coesão das forças rebeldes dentro da Síria e uma organização forte fora do país que possa trabalhar com a comunidade internacional.

Os Estados Unidos esperam que o estabelecimento de uma nova liderança ajude a unificar os opositores ao regime de Bashir al-Assad e a trazer uma conclusão "bem sucedida" aos confrontos na Síria, que já mataram mais de 36 mil pessoas, desde que os protestos contra o presidente sírio começaram, em março de 2011.

A reunião em Doha será realizada em um momento de várias divisões entre a oposição, não somente entre islâmicos e grupos secularistas, mas também entre as forças que tem atuado dentro e fora do país.

Nesta reunião em Doha, estarão presentes o grupo de oposição internacional mais atuante, Conselho Nacional Sírio e representantes de vários grupos religiosos, seculares, líderes curdos e dissidentes do governo.

Uma reunião anterior, realizada em julho no Cairo, não conseguiu indicar um comitê para representar a oposição perante a comunidade internacional. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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