Rebeldes avançam e tomam a principal hidrelétrica síria

Insurgentes expulsam funcionários do governo e controlam fornecimento de água e eletricidade para a maior parte do país

BEIRUTE, / AP, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2013 | 02h07

Rebeldes sírios capturaram ontem a maior hidrelétrica do país, depois de dias de intensos combates, assumindo o controle do fornecimento de água e energia elétrica para grande parte do território nacional. A tomada é um importante golpe contra o regime de Bashar Assad.

Os rebeldes já haviam capturado duas outras represas no rio Eufrates. Mas esta última conquista, a hidrelétrica de al-Furat, localizada a nordeste da província de Raca, foi a maior conquista da oposição, que passa a controlar o fornecimento de água e energia elétrica para áreas em mãos do governo e uma ampla faixa de terra que a oposição capturou em 22 meses de combate.

Os rebeldes contabilizaram seu maior sucesso na guerra civil nas áreas ao norte da Síria, incluindo as províncias de Idlib, Raca e Alepo, todas na fronteira com a Turquia.

Rami Abdul-Rahman, ativista que luta contra o regime e está na Grã-Bretanha, afirmou que os rebeldes capturaram a hidrelétrica de al-Furat por volta do meio do dia após expulsar um grupo de partidários de Assad da sala de controle. A maioria dos soldados na área deixou de lutar no domingo após a queda da cidade vizinha de Al-Thawra.

O ataque rebelde contra a hidrelétrica foi liderado pelo grupo Jabat al-Nusra, ligado à Al-Qaeda, que luta ao lado dos rebeldes para derrubar Assad. O grupo é considerado a força de combate mais eficaz do lado rebelde.

O governo não confirmou a perda do controle da barragem.

No início deste mês, a oposição anunciou que os rebeldes haviam capturado uma hidrelétrica menor na província de Raca, a Baath, nome do partido no governo na Síria. Em novembro os combatentes de oposição capturaram outra hidrelétrica, de Tishrin, próximo da cidade de Manbij, na província de Alepo, que faz fronteira com Raca.

Também ontem, um carro bomba explodiu na fronteira da Síria com a Turquia, na província de Idlib. Um funcionário do ministério do Exterior da Turquia disse que 10 pessoas morreram e mais de quarenta ficaram feridas e foram encaminhadas para hospitais.

De acordo com o canal de NTV , da Turquia, muitas das vítimas da explosão do carro eram sírios que esperavam para cruzar a fronteira turca. E citou Huseyin Sanverdi, prefeito da cidade turca de Reyhanli, que afirmou que a explosão ocorreu numa "zona tampão", onde os viajantes passam por um processo de vistoria quando cruzam a fronteira.

Segundo testemunhas a explosão atingiu um local onde ajuda humanitária é carregada para veículos sírios.

A área de fronteira entre os dois países tem sido cenário de combates violentos. As tensões também aumentaram entre o regime sírio e a Turquia nos últimos meses depois que bombas lançadas da Síria caíram do lado turco.

Alemanha, Holanda e Estados Unidos decidiram enviar duas baterias de mísseis de defesa Patriot para proteger a Turquia, integrante da Otan.

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