Rebeldes avançam no Congo e pressionam Exército e ONU

30 mil civis já fugiram; campo de refugiados triplicou em poucas horas

AP e Reuters, Goma, Congo, O Estadao de S.Paulo

29 de outubro de 2008 | 00h00

Rebeldes avançaram ontem do nordeste da República Democrática do Congo em direção a Goma (capital do Estado de Kivu do Norte), à medida que o Exército e as tropas da ONU recuavam. A violência obrigou dezenas de milhares de civis aterrorizados a fugirem de suas casas. Em questão de horas, a população de um campo de refugiados em Kibati - a 10 quilômetros de Goma - triplicou, segundo Rob Redmond, porta-voz da agência de refugiados da ONU (Acnur). Cerca de 30 mil congoleses fugiram das cidades tomadas pelos rebeldes nos últimos dias. "Está um caos aqui. Multidões vindas do norte estão buscando abrigo aqui", afirmou Redmond, lembrando que o campo já recebia 15 mil congoleses que fugiram de conflitos anteriores. Desde agosto, quando um acordo de paz com os rebeldes fracassou, mais de 250 mil civis fugiram, muitos em direção a Uganda. Civis voltaram a apedrejar tanques da ONU que estavam se retirando dos campos de batalha. "O que eles estão fazendo? Eles deveriam nos proteger", disse Jean-Paulo Maombi, um enfermeiro que abandonou Kibumba, a 50 quilômetros de Goma. A ONU tem 17 mil capacetes azuis no Congo, sua maior missão no mundo. A guerra civil na região - rica em diamante, ouro e outros minérios - já dura cinco anos, desde o fim da guerra do Congo (1997 - 2003). No entanto, o confronto entre rebeldes - liderados pelo ex-general tutsi Laurent Nkunda - e o Exército se intensificou em agosto e uma nova onda de violência explodiu domingo, com o avanço dos rebeldes. De acordo com a BBC, um jornal pró-governo afirmou que dois batalhões do Exército ruandês estão lutando com os homens de Nkunda, que se tornou líder rebelde após abandonar o Exército. Ele afirma que luta para defender minoria tutsi das milícias da facção rival, hutu - responsável pelo genocídio em Ruanda, em 1994, no qual 800 mil pessoas (a maioria tutsis) foram mortas. Nkunda acusa o governo de não proteger os tutsis das milícias hutus, que fugiram para o Congo de Ruanda após o genocídio.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.