Anis Mili/Reuters–25/6/2011
Anis Mili/Reuters–25/6/2011

Rebeldes avançam no oeste da Líbia

Opositores teriam vencido as forças pró-Kadafi nas montanhas de Nafusa e alcançado os arredores de Bair al-Ghanam, a 80 quilômetros de Trípoli

, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2011 | 00h00

TRIPOLI

Rebeldes líbios afirmam ter conseguido alcançar os arredores da cidade de Bair al-Ghanam, a apenas 80 quilômetros de Trípoli. O avanço dos rebeldes se dá após semanas de intensos conflitos contra as forças de segurança do presidente Muamar Kadafi nas montanhas de Nafusa, a oeste da capital, e aumenta a pressão sobre as tropas fiéis ao ditador, ao abrir uma segunda frente de combate.

Os opositores já controlam o leste do país, onde os conflitos se concentraram nos últimos meses, e algumas áreas do oeste, por onde avançam agora. A aproximação dos milicianos da capital pode obrigar Kadafi a comprometer mais soldados em ambos os acessos a Trípoli.

Segundo o porta-voz das tropas rebeldes nas montanhas de Nafusa, Gomaa Ibrahim, os confrontos na periferia de Bair al-Ghanam começaram ontem.

Guma el-Gamaty, porta-voz do Conselho Nacional de Transição, afirmou que Bir al-Ghanam é significativa por estar apenas 30 quilômetros distante da cidade de Zawiya, que abriga uma das principais refinarias de petróleo do país e é importante rota para Trípoli.

As forças da oposição assumiram o controle de Zawiya em março, antes de as tropas de Kadafi derrotarem os rebeldes para retomar a cidade. No início deste mês, os conflitos na região recomeçaram, chegando a bloquear, ainda que brevemente, o acesso à rodovia que passa por Zawiya e liga Trípoli à fronteira com a Tunísia, última rota de abastecimento de Kadafi.

Em Trípoli, Kadafi segue no cargo sem dar sinais de que pretende deixar o poder. O porta-voz do governo, Moussa Ibrahim, disse ontem que Kadafi continua "animado" e no comando. Ele disse que o presidente líbio continua no país, mas não confirmou se ele permanece na capital. "Kadafi está aqui, na liderança. Ele não vai deixar o país. Não vai renunciar", disse Ibrahim a repórteres na capital, desafiando os rebeldes e as forças de coalizão lideradas pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). "Se eles querem continuar com o conflito, nós estamos prontos. Vamos lutar rua a rua, casa a casa", declarou.

Segundo Ibrahim, o governo da Líbia distribuiu 1,2 milhão de armas às tropas no oeste do país.

Deslocados. Cerca de cem líbios chegaram à capital, ontem, vindos de Benghazi, berço da insurgência, em um navio do Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Na sexta, o mesmo navio fez a rota contrária, levando cerca de 300 pessoas da capital para Benghazi. Parte dos passageiros que chegaram a Trípoli ontem exibia bandeiras da Líbia e gritavam slogans pró-Kadafi. Mas a maioria disse ter migrado para estar perto de parentes. / AP

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