Sergey Ponomarev/AP
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Rebeldes caçam Kadafi e enfrentam focos de resistência em Trípoli

Insurgentes dizem controlar 80% da capital, mas desconhecem paradeiro do ditador da Líbia

BBC

22 de agosto de 2011 | 16h45

TRÍPOLI - Rebeldes líbios que tentam tomar o controle da capital Trípoli ainda enfrentavam nesta segunda-feira, 22, bolsões de resistência por parte de tropas leais ao líder Muamar Kadafi, que é perseguido pelos insurgentes. 

 

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Os insurgentes disseram que, até noite desta segunda (horário local), haviam ocupado cerca de 80% da capital da Líbia, incluindo a sede da TV estatal. Mas um correspondente da BBC que acompanha um dos comboios ressalta que as forças do ditador Kadafi reconquistaram parte do território desde então. O movimento pela tomada de Trípoli foi iniciado na madrugada de domingo pelos insurgentes, que estabeleceram postos de checagem na cidade.

Centenas de moradores saíram às ruas para celebrar. Ao mesmo tempo, violentos confrontos explodiram nos arredores do quartel-general de Kadafi e em outras partes da cidade. Tropas favoráveis ao regime continuavam no controle das ruas ao redor de um importante hotel de Trípoli, o Rixos, onde se hospedam diversos jornalistas ocidentais.

"Estamos nos preparando para mais uma noite de intensos combates", disse à BBC um morador da capital. "Acho que as forças de Khadafi vão recorrer a técnicas de guerrilha porque sabem que não têm o apoio da população." Mas outro morador criticou os rebeldes, dizendo que estes estavam "invadindo as casas das pessoas e roubando tudo".

O porta-voz do regime de Kadafi, Moussa Ibrahim, disse que 1,3 mil pessoas foram mortas na cidade entre domingo e segunda-feira. O número não pode ser confirmado de forma independente. A TV líbia controlada por rebeldes diz que forças pró-Khadafi estão "bombardeando indiscriminadamente" áreas vizinhas ao quartel general de Kadafi, em Bab al-Azizya.

Paradeiro de Kadafi

Mustafa Abdel Jalil, líder do Conselho Nacional de Transição, órgão político criado pelos rebeldes, disse que os insurgentes só declararão vitória quando Kadafi for encontrado. Seu paradeiro era desconhecido até a noite desta segunda. "Não sabemos se ele ainda está (em seu complexo, em Trípoli), nem se está dentro ou fora da Líbia", afirmou Jalil.

Jalil confirmou que Saif al-Islam, filho do líder líbio e seu possível sucessor no poder, foi capturado pelos rebeldes. O Tribunal Penal Internacional disse estar negociando a transferência dele a Haia, para que seja julgado por crimes de guerra. Os rebeldes dizem que outros dois filhos de Khadafi, Muhammad e Saadi, também estão em seu poder.

Ao mesmo tempo, cresce a pressão internacional para que Kadafi renuncie. A China disse que respeitará o desejo da população líbia e a Rússia se declarou neutra em relação ao avanço rebelde em Trípoli. O Egito se tornou o mais recente de uma série de países a reconhecer o Conselho de Transição como o governo legítimo da Líbia.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta segunda que "o regime de Kadafi (em vigor há 42 anos) está chegando ao fim e que o futuro da Líbia está nas mãos do povo", mas instou os rebeldes a evitar a violência.

A correspondente da BBC Rana Jawad, que está em Trípoli, disse que há na cidade a sensação de que o fim dos combates pode estar próximo e que os rebeldes tendem a sair vitoriosos.

Na Praça Verde, que recentemente fora palco de protestos pró-Khadafi, apoiadores dos rebeldes arrancaram, entre domingo e segunda-feira, as bandeiras verdes identificadas com o regime do líder líbio.

 

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