Rebeldes capturam duas bases de defesa aérea na Síria

O governo sírio, enquanto isso, lançou uma ampla ofensiva na tentativa de recuperar distritos de Homs e eliminar bolsões de resistência

Agência Estado,

13 de outubro de 2012 | 19h17

Rebeldes sírios capturaram duas bases de defesa aérea neste sábado, uma delas na província central de Homs e outra nas proximidades de Damasco, afirma o Observatório Sírio de Direitos Humanos. "Houve aumento no número de ataques e capturas de bases de defesa aérea", assegurou Rami Abdel Rahman, diretor da entidade em Beirute.

O governo sírio, enquanto isso, lançou uma ampla ofensiva na tentativa de recuperar distritos de Homs e eliminar bolsões de resistência depois de ativistas contrários ao governo do presidente Bashar Assad terem feito menção à cidade como "a capital da revolução".

Nos arredores de Beirute, a explosão de um carro-bomba provocou a morte de pelo menos oito pessoas neste sábado, entre elas duas mulheres e uma criança, prossegue o Observatório Sírio de Direitos Humanos. Ainda segundo o grupo de oposição ao presidente Bashar Assad organizado no exterior, 13 pessoas ficaram feridas. A explosão ocorreu em Al-Nabak, na rodovia que liga Damasco a Homs.

Mais cedo, o Observatório Sírio de Direitos Humanos divulgou estimativa segundo a qual a guerra civil iniciada há 19 meses no país já deixou pelo menos 33.082 mortos, a maioria civis. Apenas nos últimos cinco dias, o número de mortos chegou a mil, informou a entidade. "Essa é uma guerra total, não há outra forma de descrever a violência na Síria", comentou Rami Abdel Rahman.

A conta de óbitos inclui 23.630 civis, 8.211 soldados e 1.241 desertores do exército que aderiram a grupos rebeldes contra o regime do presidente Bashar Assad, além de desertores fora da área militar que pegaram em armas para combater o governo. O conflito na Síria teve início em março do ano passado, com um levante popular que deflagrou uma violenta repressão por parte das forças do governo.

Também neste sábado, o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, criticou o Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) por não ter chegado a um acordo para pôr fim à guerra civil na Síria. Durante conferência internacional realizada em Istambul, Erdogan afirmou que o mundo vem testemunhando uma "tragédia humanitária" na Síria.

"Se ficarmos esperando um ou dois membros permanentes (...), o futuro da Síria estará em perigo", disse o primeiro-ministro, sem mencionar nominalmente Moscou e Pequim. A Rússia e a China, dois dos cinco membros permanentes do CS da ONU, têm ameaçado vetar propostas de resolução que pressionem Damasco a encerrar unilateralmente o conflito e aceitar um processo de transição política. Erdogan também pediu a reforma do CS, que ele descreveu como um "sistema desigual e injusto", que não representa a maioria dos países.

O primeiro-ministro fez os comentários enquanto o ministro das Relações Exteriores turco, Ahmet Davutoglu, se reunia com líderes árabes e europeus em meio a tensões crescentes na fronteira entre a Turquia e a Síria.

Na quarta-feira, a Turquia interceptou um avião de passageiros que ia de Moscou a Damasco e confiscou o que declarou ser equipamentos militares a bordo da aeronave. A Síria denunciou o ato como pirataria aérea e a Rússia disse que a carga era composta de peças de radares que não violavam as leis internacionais. As informações são da Dow Jones e da Associated Press.

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