Rebeldes capturam militares leais a Assad, diz oposição síria

Suíça anuncia bloqueio de US$ 53 milhões em contas da família e de empresas relacionadas ao regime sírio

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2012 | 03h03

Rebeldes sírios atacaram ontem dois postos de controle e capturaram dezenas de militares leais ao regime no norte da Síria, segundo grupos de oposição ao ditador Bashar Assad. Rami Abdelrahman, diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos, disse que a operação ocorreu na região Jabal al-Zaeiyah, em Idlib.

O ataque dos dissidentes ocorreu no dia em que os enviados da Liga Árabe ao país apontaram um recuo dos tanques do governo das áreas residenciais das principais cidades. Ainda assim, disseram os monitores, o regime continua matando manifestantes. "Ainda há franco-atiradores no alto dos prédios", afirmou o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al-Araby. Ele acrescentou que o governo de Assad libertou 3,5 mil prisioneiros.

No domingo, um órgão de consultas da Liga Árabe solicitou a retirada imediata da missão. O líder do grupo consultivo, Ali Salem al-Deqbasi, disse que a missão "perdeu seu propósito de impedir a morte de crianças e garantir a saída das tropas das ruas sírias, dando uma chance ao regime do país de abafar a prática de atos desumanos sob os narizes dos monitores árabes".

Pressão. As autoridades suíças congelaram ontem US$ 53 milhões em contas em nome da família e empresas relacionadas ao regime que comanda o país, além de negar visto a um dos primos do presidente - e chefe da inteligência - para que entrasse na Suíça.

O congelamento de bens de ditadores tem sido um termômetro do reconhecimento desses líderes na comunidade internacional. Os suíços bloquearam bens do ex-presidente do Egito, Hosni Mubarak, e do líbio Muamar Kadafi antes de eles serem obrigados a deixar o poder.

Segundo a Secretaria de Estado para a Economia, os embargos adotados pela UE, pelos suíços e pelos EUA permitiram a Berna bloquear dezenas de contas - 19 empresas sírias e 74 pessoas tiveram seus bens bloqueados. Entre as personalidades que mantinham contas na Suíça estava o próprio presidente sírio.

Assassinato. Uma execução na Alemanha soou o alerta entre as polícias europeias de que o regime poderia estar caçando dissidentes sírios no exterior. A polícia alemã revelou ontem que um sírio de 35 anos foi morto no domingo à noite na cidade de Sarstedt, perto de Hannover. Quando seu carro parou em um semáforo, homens abriram fogo contra o veículo e escaparam.

O assassinato ocorre uma semana depois que um crítico do regime de Assad, Ferhad Ahma, foi espancado com barras de aço em sua casa em Berlim. O governo de Angela Merkel convocou o embaixador sírio para explicar o incidente. / REUTERS. COM JAMIL CHADE

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