Rebeldes congoleses tomam aeroporto de Goma

Um grupo rebelde criado há apenas sete meses atacou nesta terça-feira a estratégica capital provincial de Goma, lar de mais de um milhão de pessoas no leste do Congo, tomando o controle de parte da cidade e do aeroporto internacional, de acordo com um porta-voz dos insurgentes, residentes e testemunhas.

AE, Agência Estado

20 de novembro de 2012 | 09h01

Explosões e tiros de metralhadoras eram ouvidos enquanto os rebeldes do M23 aparentemente avançavam em duas frentes: em direção ao centro da cidade e ao longo da estrada que leva a Bukavu, outra capital provincial, situada ao sul. Os insurgentes são supostamente apoiados pela vizinha Ruanda, o que o governo ruandês nega.

"Já tomamos o aeroporto e parte da cidade", disse o porta-voz dos rebeldes, coronel Vianney Kazarama, por telefone. "Agora estamos dentro da cidade de Goma."

Uma autoridade na base de manutenção da paz da Organização das Nações Unidas (ONU) em Goma, que pediu anonimato pois ela não estava autorizada a falar com a imprensa, confirmou que o aeroporto foi controlado pelos insurgentes. O proprietário de uma fábrica que fica de frente para o aeroporto disse que viu os rebeldes na pista do terminal. Mais tarde, ele afirmou que o tiroteio havia se encerrado e que o aeroporto parecia tranquilo.

A última vez que Goma tinha sido ameaçada por rebeldes foi em 2008, quando combatentes chegaram perto da cidade. As Nações Unidas disseram que, se Goma for tomada, o resultado será uma catástrofe humanitária. Os rebeldes, que se acredita que são apoiados por Ruanda, estão em combate com as forças do governo congolês, às quais são apoiadas pelos mantenedores de paz da ONU, encarregados de proteger os civis.

No entanto, o porta-voz militar congolês Olivier Hamuli disse que os mantenedores de paz da ONU, conhecidos pela sigla Monusco, não estavam ajudando as forças do governo durante o confronto desta terça-feira porque eles não tem mandato para isso. "O Monusco está mantendo suas posições. Eles não têm mandato para lutar contra o M23. Infelizmente, o M23 não obedeceu os avisos do Monusco. Pedimos para que o Monusco faça mais", afirmou ele.

A Alemanha, que é membro do Conselho de Segurança da ONU, pediu para rebeldes suspenderem sua ação militar imediatamente. O ministro de Relações Exteriores alemão, Guido Westerwelle, disse em um comunicado que pediu para os vizinhos do Congo, uma referência a Ruanda e Uganda, acusadas de apoiar o M23, não fazerem nada para piorar a crise.

Se os rebeldes tiverem sucesso em tomar o controle de Bukavu, será o maior ganho desde pelo menos 2003, quando a última guerra do Congo com seus vizinhos chegou ao fim. O movimento rebelde M23 teve início em abril e é liderado por soldados que desertaram do exército do país. Eles são quase todos do grupo étnico Tutsi, a mesma etnia que foi alvo durante o genocídio de 1994 na vizinha Ruanda. As informações são da Associated Press.

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