Rebeldes: Crise no Timor só termina com renúncia de premier

O comandante de um grupo de soldados renegados exigiu nesta quinta-feira a renúncia e o posterior julgamento do primeiro-ministro do Timor Leste, Mari Alkatiri. Segundo o major Alfredo Reinado, esta é a única forma de se pôr fim à violência que tomou conta de Díli ao longo da última semana.O líder rebelde culpou Alkatiri pela situação. "Ele deve renunciar e ser julgado por todos os crimes que ordenou", exigiu o major renegado em conversa com a Associated Press. Ele acusou Alkatiri de ter dado a ordem para que soldados abrissem fogo contra civis que participavam de um protesto a favor de militares demitidos em março. Em abril, pelo menos quatro pessoas morreram em distúrbios desencadeados por protestos.Nesta quinta-feira, pelo menos uma pessoa morreu em novos episódios de violência ocorridos na capital timorense apesar da presença de mais de 2 mil soldados estrangeiros nas ruas da cidade. Soldados australianos foram vistos seguindo às pressas na direção de um bairro onde lojas e carros foram incendiadas.Os choques entre soldados renegados e forças regulares deram lugar ao longo da semana a confrontos entre gangues rivais. Dezenas de milhares de pessoas fugiram de Díli ou refugiaram-se em acampamento na periferia da cidade litorânea. Pelo menos 28 pessoas morreram desde a última quarta-feira.Operação de guerraOs mantenedores de paz expandiram nesta quinta-feira suas operações. O grosso dos cerca de 200 soldados enviados pela Nova Zelândia começaram a patrulhar Becora, um conturbado bairro de Díli. Com isso, soldados australianos puderam ficar livres para outras atividades. A Austrália enviou 1.300 soldados ao Timor Leste e tem o maior contingente estrangeiro no pequeno país.O Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU afirmou nesta quinta-feira que está enviado biscoitos altamente energéticos para cerca de 6 mil crianças e mulheres grávidas em Díli, além de arroz e biscoitos fortificados para mais de mil pessoas na região de Lospalos.O PMA firmou um acordo com o governo local para fornecer comida para mais de 30 mil pessoas nas regiões rurais que também foram afetadas pela violência. Nesta quinta-feira, o presidente do Timor Leste Xanana Gusmão visitou um acampamento de refugiados, onde conversou com timorenses que perderam suas casas e suas famílias durante o conflito.

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